O Arrebol Espírita

quinta-feira, 10 de abril de 2014

E FALAS-ME DO TEMPO



E falas-me do tempo, coração,
Do tempo em que tiveste a alma ferida
Por desgostos da vida,
Quais estiletes da desilusão;
Do tempo estranho de aflição e prova
Que atravessaste em convulsões de dor,
Das horas de amargor
Que te impeliram para a estrada nova,
Na qual hoje me dizes
De quadros e lembranças infelizes...

E referes-te, ainda, aos dias do futuro,
Sementeira em que esperas
Outras maravilhosas primaveras
De beleza, de paz e de amor puro,
Do porvir em que aguardas
A luminosa companhia
Da perfeita alegria,
Que surgirá, por fim, de brilhantes vanguardas...

Ouço-te o verbo lamentoso e lindo,
Enquanto vamos nós, sonhando e agindo...
Mas embora te escute com respeito,
Peço-te permissão
Para dizer-te ao pensamento irmão
Que todo tempo encerra o seu justo proveito.

E, sem qualquer prurido de ensinar,
Creio que hoje é o tempo certo
De amar e compreender, servir e desculpar,
Entre o ontem passado e o futuro encoberto;
Por isso, o melhor tempo que nos vem,
Na senda em que seguimos, vida afora,
O tempo de sorrir e de fazer o bem
Tem o nome de “agora”.

***
Espírito: Maria Dolores
Médiuns: Chico Xavier
Livro: Caminhos do Amor

sexta-feira, 4 de abril de 2014

CAMPANHA DA BENÇÃO




A campanha continua:
A caridade em trabalho,
O pão, o teto, o agasalho
E a frase de luz a expor...
Os Mensageiros da Bênção
Retornam do Céu em bando,
A cada um convidando
Para a seara do amor.

Em nossos campos de ação,
Nos mais estranhos caminhos,
Ciladas, pedras e espinhos
São entraves como são...
Vem às tarefas do auxílio,
Qualquer peça de consumo
Serve aos que avançam sem rumo
Calcando as urzes do chão.

Em outras faixas de vida,
Eis que a treva se condensa
Nos enganos da descrença
Que só desditas produz;
Fala o verbo que alimente
O amor que jamais se cansa.
Planta consolo e esperança,
Espalha bondade e luz.

Olvida nódoas e chagas,
Se a provação te aguilhoa,
Trabalha, serve e perdoa,
Guarda a fé que te mantém.
Se algo te fere, silêncio!...
Deixa o mal na sombra externa,
Deus sabe como governa
A força viva do Bem.

***
Espírito: Maria Dolores
Médium: Chico Xavier
Livro: Caminhos do Amor


PODIA SER PIOR





O médium Filgueiras era espírita de grande serenidade.
Certa feita, um amigo, que ele não via desde muito, visita-lhe a casa e, depois das saudações habituais, dá notícias do próprio pessimismo.
Declara-se ausente de toda atividade doutrinária. Continua espírita de convicção, mas afastou-se do trabalho mediúnico, da leitura, das sessões, das preces...
Inquirido por Filgueiras, começou a se explicar:
                    Imagine você que minha infelicidade começou quando meu sócio conseguiu furtar-me quase tudo o que eu possuía. Foi terrível desastre...
                    Mas podia ser pior! - falou Filgueiras, preenchendo a pausa da conversação.
                    Em seguida, estabeleci-me com pequena loja; no entanto, meu único empregado ateou fogo a tudo, após roubar-me...
                    Podia ser pior...- atalhou Filgueiras.
                    O azar não ficou aí, pois, quando me viu sem qualquer recursos, a companheira me abandonou, buscando aventuras inconfessáveis...
                    Podia ser pior...
                    Depois disso, minha única filha, aquela que ainda se mantinha ao meu lado, ouviu as insinuações de um homem que a seduziu, desprezando-me com amargas palavras...
                    Podia ser pior...
                    Por fim, meu irmão, a única pessoa que ainda me dispensava proteção e carinho, foi assassinado por um salteador que escapou à cadeia.
                    Mas podia ser pior...- acentuou Filgueiras, calmo.
O outro sorriu, mal-humorado, e objetou:
                    Ora essa! Que podia ser pior? Dois ladrões me acabam com os negócios, dois malandros me acabam com a família e um assassino me acaba com o único irmão... que podia ser pior, Filgueiras?
O prestimoso médium abanou a cabeça e respondeu calmamente:
                    Podia ser pior, sim, meu amigo! Podia ser você o autor de tantos crimes; entretanto, cá está conversando comigo, de consciência purificada e mãos limpas. Sofrer dos outros é, de algum modo, trilhar o caminho que Jesus transitou, mas fazer sofrer os outros é outra coisa...
O amigo silenciou e, ao despedir-se, rogou a Filgueiras o benefício de um passe.
 
***
Espírito: Hilário Silva
Médiuns: Chico Xavier e Waldo Vieira
Livro: Almas em Desfile