O Arrebol Espírita

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

FEITOS UM PARA O OUTRO

 


Quando os espíritos afins se reencontram, iluminados pela “Lei de Atração”, ligados um ao outros por convivências mútuas de outras vidas, o espírito ignorante não consegue compreender porquê:

 

A mais bela se apaixonou pelos mais feio;

A ricaça pelo pobretão;

A mais jovem pelo mais velho;

O mais jovem pela mais velha;

O sábio pela tola;

O Senhor pela serva;

Ele por ele ou ela por ela;

Porque desconhece as leis gerais com as quais Deus rege e governa o universo.


***

Espírito: Anônimo

Médium: Ronaldo Costa (O Arrebol Espírita)

sábado, 7 de março de 2020

DOENÇA MENTAL – Segundo o Espiritismo


O Espiritismo vem desde o século XIX lançando luz sobre os mais variados temas que até então pareciam insolúveis. A deficiência mental – ou a loucura – tratada de forma marginal pela ciência durante milênios, chamou a atenção do codificador lionês que lhe reservou alguns artigos na famosa Revue Spirite. Mas como deve ser encarado o problema da doença mental sob a ótica espírita? Quais os elementos envolvidos nesse processo de tanta dor? Qual o papel da família que tem em seu seio um doente? São essas algumas das questões que nos propomos abordar nas linhas que se seguem.

Visão Espírita:

O fato é que a ciência tradicional nunca soube realmente o que provocava a doença mental. Por que pessoas relativamente sãs em alguma fase da vida começavam a manifestar traços de insanidade? Por que outras já nasciam doentes? E ainda, por que tantas se curavam sem razão aparente?
A psiquiatria tem estado atada, é verdade, pelos limites do cérebro, pelas barreiras do corpo material, fonte que, sabemos, não é a origem principal da doença, mas sim a manifestação de algo que é externo a ele. Vejamos agora no que o Espiritismo contribuiu para o entendimento dessa questão.
Allan Kardec e os Espíritos da Codificação nos apresentaram um elemento primordial para o entendimento do ser humano na sua essência: o Espírito. O ser imortal; aquele que viveu e viverá inúmeras existências através das reencarnações; o ser que possui um histórico de uma vida milenar que não se restringe somente à vida presente. O Espiritismo abalou as estruturas do materialismo vigente, trouxe uma revolução no campo das idéias, inovou os conceitos religiosos e científicos. A ideia da existência do Espírito pôde explicar a gênese de muitos problemas da vida cotidiana.
Através da lei da reencarnação, explicou a questão das causas atuais e passadas das nossas aflições; que como seres imortais, somos fruto do que fizemos anteriormente. Sofremos mais ou somos mais felizes de acordo com o que viemos construindo nas nossas existências nas diversas moradas do Pai.
Uma das idéias mais importantes introduzidas pelo Espiritismo fora a da Lei de causa e efeito, emprestada de certa maneira da lei da física de ação e reação. A Lei de causa e efeito nos deu uma amplidão de visão que nos ajudou a compreender, por exemplo, que nossa vida presente é reflexo do que temos sido até hoje, inclusive de nossas vivências passadas. Nossas faltas anteriores, nossos erros passados surgem hoje como expiações; assim como nossos acertos aparecem-nos como paliativo ou recompensa na vida atual. Plantamos sementes voluntariamente e hoje somos chamados à colheita. É uma lei natural.
A loucura – ou a doença mental, como preferir – deve ser também encarada sob esse prisma, como reflexo de uma atitude passada. Como se manifesta de uma forma negativa, trazendo sofrimento tanto para o doente, como para a família, há que se concluir que seja reflexo de uma falta anterior.
Emmanuel e Joanna de Ângelis nos explicam que são várias as causas da loucura e que, quase sempre, são contraídas por faltas em uma existência anterior. O suicídio, o uso inadequado das faculdades mentais, o envolvimento exagerado com a vida mundana, ou mesmo um progresso intelectual sem a contraparte moral podem ser assinalados como causas anteriores de uma vida atual mergulhada na insanidade.
O Espírito que procedeu assim, no seu desencarne percebe que viveu de forma desequilibrada sente-se ele próprio um criminoso. No seu tribunal de consciência vê que foi causador de uma desarmonia muito grande e na aferição dos males que praticou sente-se culpado. Suas faltas todas, assim como as boas ações também, impregnaram o seu perispírito e ele vê no processo do reencarne a única forma de reparação possível. Busca um mecanismo auto-punitivo que possa absolvê-lo dos males que praticou. Sente que uma nova vida na Terra, num corpo portador de uma doença mental, poderá livrar-lhe do peso das suas ações infelizes.
No processo da reencarnação, o Espírito aplica-se-lhe de forma consciente ou inconsciente, uma punição porque deseja evoluir e sabe que para isso tem de apagar os erros cometidos no passado. Veja que não é uma punição vinda unicamente de Deus, ou um veredicto traçado por um deus vingativo, mas antes disso, um alerta da consciência do próprio Espírito que se sente faltoso com a harmonia universal, pois sabemos que ninguém se escusa da própria consciência.
A partir do momento da permissão do reencarne e a posterior fase da concepção, o Espírito passa a imprimir nas moléculas de DNA do novo corpo físico, as suas necessidades e heranças. Essas impressões materiais serão recursos propiciatórios à sua evolução. Os atos anteriores do Espírito, herdeiro de si mesmo, lhes plasmam o destino futuro e, através do seu desejo de redimir-se, aplica-se-lhe a pena necessária aos crimes que lhe pesam na economia moral.
Notemos que o Espírito não é louco, pois tem a consciência de suas faltas e deseja repará-las. É certo que há Espíritos que têm de ser submetidos a uma reencarnação compulsória, mas mesmo nesses casos o Espírito não é louco, e sim terá em mãos um corpo que não lhe permitirá manifestar todas as suas faculdades.
Na nova vida encarnada a doença poderá manifestar-se desde o nascimento ou poderá ser desencadeada por uma aparente causa material: uma fixação, um trauma, um estresse ou mesmo uma decepção. O que devemos saber é que em ambos, o gérmem da doença mental já estava registrado no perispírito do reencarnante. Da neurose mais simples, passando pelo mongolismo, pela demência, pela esquisofrenia: a gênese é sempre espiritual.
Outro aspecto que temos de considerar é a loucura desencadeada por um processo obsessivo, que também tem por causa um ato anterior. A obsessão é um mecanismo de cobrança do ser desencarnado em relação ao encarnado. Um histórico de disputas e relações não resolvidas envolvem vítima e algoz, agora em papéis trocados. O obsessor acredita que sua má influência e vingança do ofensor encarnado se livrará da dor que carrega, influência essa que pode inclusive levar o obsediado a um diagnóstico equivocado de deficiência mental. Com a devida terapia espírita, mudança de comportamento do encarnado, reforma íntima e amor dos companheiros mais próximos é quase certo que a cura total é possível nesses casos.
A doença mental é expiação ou prova também para os pais que podem ter sido coadjuvantes nas faltas desses espíritos. Eles são agora testados e deverão aplicar todo o amor possível na convivência com o doente, sendo responsáveis pelo ser débil que os acompanha. Sabemos que a cura total é quase sempre impossível porque consta do plano reencarnatório da criatura, mas a dor tanto do doente quanto da família pode ser suavizada se tivermos em mente que nunca estamos sozinhos; se confiarmos e termos a figura divina como nosso norte, espíritos amigos estarão sempre nos inspirando e colaborando em nossa caminhada.
A terapêutica espírita no tratamento da loucura é essencialmente preventiva, pois sugere a resignação ante as vicissitudes da vida que poderiam causar o afloramento da doença. O auto-conhecimento, a busca constante da reforma íntima e a transformação pessoal de cada um constituem meios eficazes de manter a saúde psíquica de todos, já que qualquer um de nós pode ser doente em potencial.
O auto-conhecimento tão bem aplicado por Santo Agostinho é uma das chaves mestras na prevenção de toda e qualquer doença. A auto-observação no dia-a-dia, na busca constante de identificar os pontos a serem melhorados, as fraquezas e más tendências são elementos importantes para assegurar a qualidade de vida. A proposta de renovação íntima, de transformação moral, da mudança dos hábitos mentais, da substituição do pensamento negativo pelo positivo são ferramentas de prevenção ditados pelo Cristo e renovados pelo Espiritismo.
A fé e confiança em Deus deverão nos dar uma natural resignação ante as tribulações cotidianas e o Espiritismo nos faz lembrar que a vida na Terra é sempre passageira; que se passarmos por tudo de forma equilibrada uma sorte mais feliz nos aguardará no plano espiritual.
Se olharmos para a vida eterna do Espírito que somos, veremos que passamos hoje apenas uma fase passageira nessa existência. Que a cruz, embora possa parecer demasiado pesada, pode ser perfeitamente carregada se tivermos força e confiança na providência divina. Todo esforço será recompensado e aos olhos do Pai, cada gota de suor será computada no final.
Nunca há injustiça alguma vinda do céu. Encaremos as dificuldades como oportunidades de progresso. Essa é a proposta do Espiritismo.

***


(a) Ronaldo Costa (O Arrebol Espírita)


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sexta-feira, 22 de novembro de 2019

ERA UM ESPÍRITO, MAS NÃO ERA UM FANTASMA




Na noite passada, por volta das 23 horas, eu me encontrava lendo em um banco do canteiro central da avenida Boulevard, cidade de Manaus, quando ouvi alguém gritar:
— “Vocês pensam que não estou vendo vocês!?”
Por essa razão, ergui os olhos em direção à parada de ônibus do outro lado da avenida, o local mais próximo onde havia pessoas. Foi então que vi um homem jovem, barbado, vestindo apenas bermuda e descalço, gritando na direção de um casal que ali se encontrava.
Entretanto, era como se alguém tivesse apertado a “tecla mudo”. Eu via claramente o homem continuar gritando, proferindo impropérios, mas já não ouvia som algum. Foi nesse instante que percebi algo ainda mais estranho: nem o casal, nem outros três passageiros que aguardavam o coletivo pareciam dar-se conta do que estava acontecendo. Todos permaneciam completamente alheios à sua presença.
Concluí, então, que se tratava de um espírito materializado, visível apenas para mim.
Por fim, decidi aproximar-me para tentar ajudá-lo, no sagrado exercício da caridade, buscando orientá-lo. Contudo, apenas ao formular essa intenção, o homem voltou-se para mim com fúria, afastou-se rapidamente e foi para trás de um poste de iluminação pública, onde desapareceu.
Esse fato — o segundo ocorrido em menos de um mês — levou-me a profunda reflexão. Fez-me concluir que, se pertenço ao grupo dos raros que possuem a faculdade de ver espíritos materializados, também pertenço ao contingente daqueles que ainda não possuem a faculdade de ver a Deus. Ou seja, não vejo mais do que os outros,  mas vejo algo que me revela o quanto ainda me falta ver.

* Nota do autor: Ver o invisível!

Há experiências que não nos transformam pelo que revelam, mas pelo que delimitam. Ver um espírito materializado — se assim se pode dizer — não é apenas um fenômeno extraordinário; é, sobretudo, uma fronteira da percepção humana.
O episódio ocorrido naquela noite, em plena via pública, não se caracteriza pelo medo, tampouco pelo espanto. O que mais impressiona não é o grito, nem a figura em si, mas a completa indiferença das demais pessoas. Enquanto um homem vociferava impropérios, visível aos meus olhos, todos ao redor permaneciam mergulhados em uma normalidade intacta. Era como se duas realidades distintas ocupassem o mesmo espaço sem jamais se tocarem.
Essa dissociação revela algo profundo: o mundo não é percebido igualmente por todos. A visão, nesse caso, não é apenas um ato físico, mas uma faculdade espiritual. Alguns veem, outros não — e nenhum dos dois grupos está, necessariamente, certo ou errado.
O impulso de ajudar, de exercer a caridade, surge quase como dever moral diante do sofrimento alheio, ainda que esse sofrimento pertença a um plano que a maioria desconhece. Contudo, a reação hostil da entidade lembra que nem toda ajuda é aceita, e que o livre-arbítrio persiste mesmo além da matéria.
A reflexão final talvez seja a mais contundente: ver espíritos não equivale a ver Deus. Pelo contrário, evidencia o quanto ainda estamos presos às manifestações intermediárias da existência. Se há uma hierarquia da visão espiritual, enxergar o invisível mais próximo não significa alcançar o invisível absoluto.
Ver espíritos pode ser uma faculdade.
Ver Deus, talvez, seja ainda um estado.
***

(a) Ronaldo Costa (O Arrebol Espírita)


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terça-feira, 19 de novembro de 2019

VOCÊ SONHA COM OS "MORTOS"? - Projeção Astral.


- O Sonho da Renata Silva Cruz -
Post: Texto e Vídeo


O que é a Projeção Astral?
Enquanto o seu corpo dorme, a sua alma acorda e se projeta para fora do corpo físico. A projeção astral é a saída do corpo para a dimensão espiritual, pois sua alma é um espírito.
À medida que a capacidade moral, extrafísica, psíquica e a capacidade bioenergética da pessoa vai se tornando melhor qualificada, mais aumenta sua capacidade de realizar a viagem astral, exatamente como ao praticar exercícios físicos melhoramos o desempenho e a disponibilidade da musculatura corporal.
Você não é o seu corpo, você está no seu corpo. Cada um de nós é sua própria alma ou seu corpo de luz, como dizia Paulo de Tarso.
Deste modo, quando o corpo morrer, a essência vai continuar. Entretanto, essas mini mortes acontecem todas as noites, a única diferença é que a gente sai do corpo e volta, porque nós estamos magneticamente presos a ele.
Mas em algum instante a gente vai sair do corpo e não vai voltar mais, a isso damos o nome de morte. Só que a morte não é o fim. A morte, na verdade, é apenas um estágio.
A experiência da projeção astral durante o sono do seu corpo físico, permite que você tenha consciência da entrada do seu corpo de luz na dimensão espiritual, e assim afinado sob a mesma forma corpórea que os espíritos, entre em contato com eles. É por isso que muita gente sonha com espíritos.
*

**
“As afeições da Terra continuam no mundo dos espíritos, sendo mais sólidas do que eram, por não terem interesse.”
- O Livro dos Espíritos/Allan Kardec -
***
Vídeo Áudio: Pessoal (conversação via whatsapp onde um prima minha relata para irmã fatos vivenciados em um sonho)


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sábado, 21 de setembro de 2019

UMA GRANDE AJUDA – Orar, Rezar, Fazer Uma Prece.

 Encontrava-me em uma praça, abaixo do viaduto do Baldo, entre os bairros do Alecrim e a Cidade Alta, em Natal/RN, aguardando a abertura da casa “Frei Fabiano de Cristo”, quando um rapaz se aproximou e me pediu um cigarro. Solícito, passei-lhe a carteira e o isqueiro. Após servir-se, devolveu-me dizendo:
— Muito obrigado! Desculpe te incomodar, mas, quando o fumante está nervoso, você sabe… só o cigarro para acalmar.
— E o que é que está perturbando tanto o amigo, posso saber? — perguntei.
— Cara, nem te conto!... Uma amiga achou uma pedra muito bonita e me mostrou. Como não conhecemos nada sobre gemas, ofereci-me para levar a peça para avaliação com os ourives que conheço no centro, onde trabalho. Entretanto, hoje pela manhã, quando acordei e fui buscá-la, a pedra simplesmente sumiu. Não sei onde a deixei ou se a perdi. Agora, não sei com que cara irei até minha amiga e lhe contar o ocorrido. Não creio que ela vá acreditar. Vai pensar que estou querendo passar a perna. Você entende agora como estou me sentindo?
— Amigo, o medo é propriedade dos culpados, não dos inocentes. O que está acontecendo com você é apenas uma influência espiritual negativa, apenas isso!
— Como assim uma “influência espiritual negativa”? O que é isso? — perguntou ele.
— Saiba que estamos sempre sendo incitados e inspirados por inteligências que agem no mundo invisível, vulgarmente conhecidos como “anjos” e “demônios”, mas que, na verdade, nada mais são do que nossos irmãos que vivem no mundo espiritual, ou mundo extracorpóreo.
Os anjos são seres da luz, espíritos esclarecidos, razão pela qual só nos fazem o bem. Eles nos esclarecem, orientam, consolam e amparam; suas influências são sempre positivas.
Os demônios são seres das sombras, espíritos ignorantes, que, por essa razão, só nos fazem o mal. Nos enganam, confundem, perturbam e ofendem; suas influências são negativas.
— Portanto, se você está sob uma influência negativa, nada melhor a fazer do que pedir o auxílio daqueles que podem ajudá-lo.
— E como posso fazer isso?
— Através da prece, da oração, da reza — que significa “falar com...”. Eu falo com Deus quando minha prece é dirigida a Ele. Eu falo com meu Anjo da Guarda (Guia Espiritual, Mentor) se oro para Ele. Eu falo com Maria, nossa mãe santíssima, quando rezo para Ela. É só falar que Eles te ouvem, como a todos. E não se esqueça de pedir em favor de sua amiga, para que também não seja influenciada.
Três dias depois, encontrava-me no mesmo lugar e horário quando o rapaz retro mencionado reapareceu. Aproximando-se, sorrindo, falou:
— Cara, impressionante! Cheguei à casa de minha colega e, antes que ela abrisse a porta, fiz uma oração pedindo ajuda. Quando ela apareceu e contou o que havia acontecido com sua pedra, disse-me apenas, abraçando-me: “Não esquenta com isso!”. Imagina a alegria e o alívio que senti!
— Rapaz, o melhor ainda veio depois — continuei —. Não é que, sem querer, encontrei a pedra ao chegar em casa? Que coisa! Muito obrigado, irmão! Você me deu uma grande ajuda!
— Não é a mim que você deve agradecer, mas àqueles que nos influenciam ao bem. E nunca se esqueça de pedir a Eles em favor de quem nos influencia ao mal, porque, como lhe disse, somos todos irmãos!

***
Video: Amigos Da Luz


(a) Ronaldo Costa (O Arrebol Espírita)

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quarta-feira, 21 de agosto de 2019

POSSO FALAR UMA VERDADE? - A Verdade de um Jumento!



A miúde, lendo os comentários sobre minhas publicações, encontro as seguintes afirmações:
"Adoro suas crônicas!", "Você é um poeta...", "...filósofo.", "Você é um espírito muito evoluído...", "Você é uma pessoa do bem."
Gente, posso garantir a vocês que não sou nada disso! Sou apenas um simples médium, bastante insignificante, trabalhando como uma caneta velha nas mãos de um “Sábio Desencarnado”.
Senão, vejamos:
Certa feita, ao chegar na casa espírita onde contribuía como singelo voluntário, encontrava-me na mesa dos médiuns (visualizar foto do post), fazendo minhas preces, agradecendo pela oportunidade do trabalho e pedindo amparo superior, quando senti uma forte opressão no peito, uma angústia sufocante.
No final dos trabalhos espirituais da casa, dirigi-me à sala de desobsessão em busca de auxílio. Sentei-me frente a uma médium de incorporação, tendo um médium passista vibrando atrás de mim.
Nesse momento, um espírito se manifestou no médium à minha frente e passou a falar com voz de adolescente:
— Nooossa! Gosto muito de você! Você é muito inteligente! Tem o dom da palavra! Tem me ensinado bastante!
Então, os trabalhadores espirituais da casa, através do médium que vibrava, pediram para que me retirassem da sala, para orientarem aquele irmão. Só após alguns minutos voltei e recebi instruções espirituais no tocante à prece e ao passe, e então saí.
Momentos depois, quando passava pela lanchonete, a médium de incorporação aproximou-se de mim, falando:
— Ronaldo, teu mentor espiritual é um espírito muito evoluído. Um dos maiores que já vi. É de esfera muito elevada, que já nem precisaria missionar mais por aqui, mas o faz por amor a ti. É um espírito que lhe é bastante simpático, um espírito familiar teu, que conviveu contigo há milhares de anos, quando já era um ser iluminado e você ainda estava nas trevas. Me informaram que, através de ti, já conseguiu encaminhar muita gente, mas você continua aqui empacado, lhe dando trabalho. Vê se te emenda, irmão! Te esforce mais dessa vez…
Constrangido, buscando fugir do sermão, perguntei:
— E o mal-estar que sentia há pouco, do que se tratava?
— Era um jovem suicida que vivia perdido, desorientado, até que, um dia desses, viu passar uma luz e resolveu segui-la. Quando a luz parou, percebeu que se tratava de duas pessoas: uma encarnada e outra desencarnada, sendo este último a fonte da luz que emanava. Estes falavam a respeito de Jesus e da Doutrina Espírita de uma forma que ele conseguiu compreender como nunca antes fora capaz; desde então, passou a segui-los na intenção de aprender e adquirir alento para o seu sofrimento. Hoje, chegou até aqui e foi amparado pelos trabalhadores do plano espiritual, que lhe convidaram a conhecer um lugar onde receberia esclarecimentos e todo o amparo de que necessitava, e onde a luz que brilha é a própria luz de Jesus.
— E quem são esses dois homens que, de certa forma, ajudaram este irmão suicida? E o que tenho a ver com isso? — quis saber.
— O desencarnado, que emana luz, é um cavalheiro do além; o encarnado é um “jumento” que o cavalheiro encontrou no caminho.
Foi então que entendi que…
...A VERDADE É ESSA: EU NÃO PASSO DE UM JUMENTO!
***
(a) Ronaldo Costa (O Arrebol Espírita)

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terça-feira, 23 de abril de 2019

UMA “MADALENA” EM MEU CAMINHO



 
Encontrava-me sentado, sozinho, em um bar, tomando uma cervejinha, na rua general Osório, próximo a Praça dos Três Poderes, em João Pessoa (PB), quando uma mulher, de seus vinte e cinco anos, ou mais, aproximou-se de mim oferecendo seus serviços:

- Vamos fazer um programinha?
- Não, minha querida, muito obrigado!
- Vamos! Vou fazer um precinho legal pra você. _insistiu
- Desculpe a franqueza, mas mesmo que me cobrasse apenas um centavo, ainda assim, não estaria interessado.
- Por que, você não gosta de mulheres?
- É justamente por gostar de mulheres que não sinto prazer em compra-las, como se fossem mercadorias; para usa-las como se fosse um objeto. Para que sinta prazer com uma mulher, mesmo num simples beijo, é preciso que seja algo espontâneo, que aja sentimentos ou pelo menos uma vontade mútua.
- Que romântico! Como é o seu nome?
- Ronaldo!
- O meu é Carla! Posso sentar ao seu lado?
- Me dê a honra!..
- Você acha que o quê faço é errado Ronaldo?
- Quem sou eu, que caminho como você, na sombra da própria ignorância, para dizer o que é o “certo” e o “errado”?! Por ora, tudo o que nos cabe compreender é que o certo e o errado são relativos. O que é certo ou errado para mim pode não ser o certo ou errado para você e vice e versa.
- Como assim? O que é certo não é certo? E o que é errado não é errado?
- Sim! O que é certo é certo e o que é errado é errado, mas o que falo é do quadro de nossas ações que sempre trás consigo razões diferentes. Por exemplo: digamos que eu seja uma mulher, nascida no berço da fartura, acolhida por uma família estruturada e abastarda, que me concedera todos os recursos para que fosse uma advogada, médica, empresária ou qualquer outra coisa, mas que tenha optado por ser garota de programa. Temos aí, como razão, a OPÇÃO. Por outro lado, também a título de exemplo, você nasceu no berço da miséria, sem uma família estruturada e sem os recursos necessários para que pudesse ser uma advogada, médica, empresária ou qualquer outra coisa, e por isso você tornou-se uma garota de programa. O que temos aqui, como razão, é a CONDIÇÃO. Por isso que o certo e o errado para nós devem ser relativos, porque Deus é infinitamente justo e bom. 
E é por esse entendimento que Paulo Coelho escreveu: “Uma coisa e você achar que o seu caminho é o certo, outra, bem diferente, é achar que o seu caminho é o único; cada um sabe de sua dor e renúncia”.
- Mas eu não poderia ser uma doméstica, vendedora ambulante ou qualquer outra coisa, sem ser prostituta?
- Não se deixe levar pelo leviano moralismo! Para ser uma doméstica é preciso conhecer as prendas domésticas, que somente um lar e uma família estruturada pode ensinar. E para ser um vendedor é preciso ser desinibido, comunicativo e possuir outras prerrogativas que também somente a educação e a disciplina podem nos ensinar. E isso vale para tudo! Você só é uma prostituta pelo que aprendeu, como poderia ser também apenas uma pedinte. Não se cobre tanto!
- Caramba! Você falou tudo sobre mim! Você falou de Paulo Coelho, você também é um bruxo?
- Sou alguém buscando deixar de ser soberba para ser mais humilde Carla. Buscando não julgar e condenar, mas compreender e aceitar. Apenas isso! E é também por essa busca e pelo tanto que tenho aprendido que posso te garantir que muitas mulheres que exerceram o ofício da prostituição na terra, foram recebidas no céu como santas. 
- Como assim? Por que?...
- Porque se comprometeram com o bem; porque amaram Carla! Foram honestas com seus clientes. Não abusaram de suas embriagues e nem exploraram suas fraquezas, como muitas fazem. Também, porque auxiliaram os necessitados. Abrigaram desamparados, alimentaram famintos, assistiram doentes, adotaram órfãos e, apesar de tudo, formaram filhos dignos e até foram capazes de formar uma família honrada. Quem ama a criatura, Carla, ama o seu Criador.
- Nossa Ronaldo, essa também sou eu! Nunca gostei de explorar os meus clientes, fazendo gastar o dinheiro deles comigo. Só quero o que é meu!
- É porque você é uma pessoa boa Carla, comprometida com o bem. E ainda pode fazer muito mais! Promova a paz nesse ambiente de conflitos. Desestimule as pretensões infelizes. Oriente os casados sobre os valores da família; os solteiros sobre as consequências do sexo irresponsável. Ainda que isso lhe custe o cliente, saiba que poderá ganhar um amigo ou um belo gesto de gratidão. E, pelos ingratos Deus compensa. É só confiar!

Profundamente emocionada brincou:

- Quanto te devo?
- Pelo quê?
- Você não sabe o bem que me fez, a paz que me trouxe. Estou me sentindo leve, muito leve agora; como se você tivesse tirado um grande peso de meus ombros.
- Esse é o evangelho de nosso senhor Jesus Cristo, minha irmã, cujo fardo é leve e suave e de quem sou um singelo aprendiz. Por isso que me encontro na mesa de um bar sem nenhuma culpa.
Agradeça a Deus, sempre a Deus, de onde emana todo o bem de nossas vidas. Mas, se acha que mereço algo, apenas me prometa uma coisa!
- O quê, pode falar?!
- Que não vai esquecer-se de mim quando chegar na vida maior, possa que venha me encontrar perdido nas zonas das trevas.
- Como assim, você está louco? Se uma pessoa do bem, que está me ensinando a ser boa, duvida que vá para o céu, como é que posso ter certeza que vou?
- É só confiar no amor que disse que “os últimos serão os primeiros”. Porque “...aquém muito foi dado, muito será cobrado”. 
Portanto, Carla, de nós dois, O DEVEDOR MAIOR SOU EU!

***
(a) Ronaldo Costa (O Arrebol Espírita)

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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

POBRE "ESPÍRITA"!


Dia desses, uma de minhas seguidoras me chamou no chat e me fez as seguintes perguntas:
- Ronaldo, qual o centro espírita que você frequenta?
- Nenhum!_respondi
- E por que?
- Porque minha única proposta ao frequentar um centro espírita é servir nos trabalhos mais simples, mas que considero de maior valor, como lavar banheiros, fazer a limpeza, participar dos serviços sociais voltados para atividades assistenciais e para os moradores de ruas, ajudando no preparo do alimento, descascando legumes, lavando a louça e recebendo-os com muito afeto e carinho.
Mas, infelizmente, sempre chegou um dirigente me impondo a condição de que devo participar dos estudos da casa para servir como voluntário, tipo: Escola de Mediunidade, Cursos Sistematizados, curso disso e daquilo... E por isso, como não tenho interesse em formaturas teóricas e muito menos em diplomas, acabo por ser afastado.
- Qual é o seu palestrante preferido? O que você acha do Haroldo Dutra?...
- Não prefiro nenhum e não acho nada no Haroldo Dutra.
- Então você não é Espírita! Por isso que não é aceito nos centros!_declarou me excluindo em seguida
Espíritas, espíritas, quando é que vão entender de uma vez por todas que o Conhecimento é SUBJETIVO e que a Prática é o OBJETIVO? Quando é que vão entender que foi isso que Saulo (Paulo) aprendeu com Jeziel (Estevão); que Saulo esbanjava conhecimento, enquanto Jeziel apenas amava. E é por isso que o espírito Emmanuel escreve, na abertura do livro "Paulo e Estevão", que não haveria Paulo sem Estevão. E é exatamente pelo que aprendeu com Estevão que Paulo escreveu: "Ainda que eu fale a língua dos anjos, sem amor eu nada serei."

FORA DA CARIDADE, que exercemos através da ação na promoção do Bem, queridos irmãos, não há TRANSFORMAÇÃO, não há EVOLUÇÃO, não há MÉRITOS, não há SALVAÇÃO!

"Ser Espírita é mais importante que ser Médium; entretanto, ser Cristão é essencial." - Chico Xavier

***
PS: A propósito, tenho como hábito ler dois livros por semana, e um aluno médium tem como tarefa ler um livro de estudos por semestre; e a média nacional de leitura dos brasileiros é de apenas oito livros.
Sugestão de livro: "Paulo e Estevão", ditado pelo espírito Emmanuel, psicografado pelo médium Chico Xavier.

Link do livro para Visualizar e/ou Baixar:




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sábado, 19 de janeiro de 2019

HOMOSSEXUALIDADE e CONSCIÊNCIA


“O coração que compreende e ajuda supera em grandeza a inteligência que estuda e ensina.”
(Espírito: Emmanuel)

Dias antes do Natal, me encontrava sentado em um dos bancos da praça Fausto Cardoso, aqui em Aracaju (SE), quando percebi, em pé, próxima a mim, “MICAELLA”, a simpática “mocinha” que pousa comigo na foto deste post. Foi então que chamei sua atenção e perguntei se não desejava sentar-se, também, junto a mim.
- Posso mesmo?_perguntou
- Claro que sim!
- Obrigado! O senhor é muito gentil!
- Esqueça o “senhor” e o “muito”, porque somos apenas irmãos e o “muito” a Deus pertence!
- Você não se incomoda mesmo de eu estar sentada ao seu lado?
- E por que me incomodaria?
- Sei lá!... Porque sou Gay; geralmente as pessoas se importam com que as outras vão pensar...
- Não tenho compromissos com o que as pessoas pensam, falam ou fazem, mas apenas com que penso, falo e faço; que é pelos quais minha consciência cobra contas.
- Desculpe perguntar, mas você é evangélico?
- Não!
- É gay?...
- Também não!
- É simpatizante...
- Sou simpatizante do respeito; da compreensão; da tolerância; da humildade; da generosidade e da fraternidade; pelos quais devemos tratar todas as pessoas.
- Desculpe mais uma vez, não quis lhe ofender!
- Você não me ofendeu em momento algum, o que falei é relativo a mim.
E aproveitando o ensejo, buscando restringir a conversa no campo da evangelização, provoquei:
- E você, é evangélica?
- Não! Sou uma “pecadora”!_respondeu rindo
- Grande "EXCEÇÃO"! E quem não é?
- Sou católica, mas não vou à igreja.
- E por que?
- Porque, como você está vendo, sou Gay, e os católicos são que nem os evangélicos, dizem que quem é “Gay Não Entra No Céu".
- Não generalize! Há muitos homens bons na fé e no sacerdócio católico, que jamais falariam uma bobagem dessas. Nosso Papa Francisco, por exemplo, que admiro muito, está entre estes. E o pastoril evangélico também tem seus grandes servidores; como o pastor Carlos, que conheci em Brasília, e o pastor Ulisses, da “Bola de Neve”, que conheci em Manaus, que pelos bons princípios jamais respaldariam isso.
No mais, os que dizem que “gay não entra no céu”, não estão de todo errados...
- É mesmo? E por que?_perguntou contrariada
- Porque “Gays”, “Homens” e “Mulheres”, não entram mesmo no céu. Quem entra no céu são os ESPÍRITOS COMPROMETIDOS COM O BEM. Independentemente de terem animados na terra o corpo de um gay, de um homem ou de uma mulher. Já que o verdadeiro LUGAR DE GAYS, HOMENS E MULHERES, É NO CEMITÉRIO; porque O QUE É DO PÓ “...VOLTA AO PÓ DE ONDE FOI TIRADO”(Gen:2.7).
Você precisa entender que o sexo, a raça, o credo e a condição social, não pertencem aos espíritos, pertencem à Terra. Bendita escola; que nos fornece todo o “material” de que necessitamos para o desenvolvimento de nosso aprendizado. O que realmente pertence aos espíritos são as TENDÊNCIAS, que podem ser “BOAS” ou “MÁS”. Por isso que nós podemos ser bons ou maus, sem que nisso o sexo influencie em alguma coisa.
Portanto, deixe de ser ingrata! Quando passar em frente a uma igreja, seja qual for, entre e agradeça a Deus pelo corpo sadio que lhe deu para que, no exercício do LIVRE ARBÍTRIO, possa animá-lo na terra do jeito que bem entender, mas sempre A SERVIÇO DO BEM.
E não se deixe intimidar, jamais renegue a Cristo, no desvario da INCOMPREENSÃO. Siga caminhando sempre na FÉ e na ESPERANÇA, pois que, nos manuscritos das VERDADES ETERNAS , o COITADO não é o ofendido, mas o OFENSOR.
E, depois de mais algumas orientações que, ao que pareceu, foram muito bem acolhidas e que não se faz necessário transcreve-las aqui, Micaelle me faz um pedido:
- Quero tirar uma foto com você, pra guardar de lembrança, posso?
- Desde que me autorize a publicar este nosso encontro em meu blog, como testemunho da honrosa oportunidade de ter conhecido você
***

(a) Ronaldo Costa (O Arrebol Espírita)


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terça-feira, 8 de janeiro de 2019

UMA EXPRESSÃO DE FÉ


Dias atrás, caminhava pelo parque do Cajueiro, na companhia de um dos muitos amigos que fiz desde que cheguei aqui em Aracaju, quando avistamos vistosa oferenda sob o pé de frondosa árvore; nela contendo uma pequena imagem de Jesus, um frango, frutas, pipocas, farofa, charutos e uma garrafa de champanhe. Quando, mais próximo, meu companheiro virou-se para mim dizendo:
- Isso é coisa do “demônio”!
Desejoso de ajuda-lo a se esclarecer um pouco mais, mas, pego de surpresa, sem os elementos que pudesse construir a ideia do esclarecimento, aproximei-me dos objetos de culto iniciando singela prece em nosso favor e em favor do desconhecido autor da oferta. E eis que, na sensibilidade de minha humilde mediunidade, pressinto a presença de caridosos amigos espirituais, u para suprir-me nas deficiências de minha imensa ignorância.
Finda a prece, quando enjugava as lágrimas que sempre caem na presença de vibrações superiores, o amigo me fez essa nova abordagem:
- Você não me disse que é “espírita”?
- Sim, meu irmão, eu sou espírita! Mas antes de ser espírita, sou cristão. O que considero mais importante. Por isso, regido pelos excelsos princípios do espiritismo e do evangelho cristão, me sinto no dever de me curvar em respeito a todas as religiões e a todas as formas de manifestação de fé, por saber que aquele que é Pai ouve a todos os seus filhos: o que gagueja e o que fala desembaraçado; o tímido e o que fala desinibido; o leigo e o que fala com instrução. Porque não é a forma como falamos que importa, mas o seu conteúdo, que pode emergir das luzes de nossos sentimentos mais nobres ou das sombras de nossas paixões infelizes.
- Não conheço nada do espiritismo Ronaldo, mas há algo de muito interessante em vocês espiritas. Todos os que conheci me impressionaram bastante. Estou começando a me convencer que vocês são os melhores.
Não creia nisso meu irmão!... Não se deixe impressionar! Creio eu que talvez sejamos nós os piores, pelo tanto que nos foi dado a conhecer e compreender. E se Jesus Cristo nos convocou ao amor e Martinho Lutero a reforma religiosa, Allan Kardec nos convocou a reforma íntima, e temos deixado muito a desejar.
Também, temos muito que aprender com os irmãos das outras vertentes do cristianismo.
- O quê, por exemplo?!
- Com os Católicos, precisamos aprender a distribuir obras sociais pelo mundo, nas mais variadas formas; com os Evangélicos, a levar, sem constrangimentos, a tribuna cristã para as ruas e praças públicas; com os Umbandistas, a se expressar na linguajem dos simples, tão usada pelos espíritos de luz que se manifestam humildemente para eles na figura de Índios, Caboclos e Pretos-Velhos, exemplificando o Mestre que, sendo rei, se manifestou na figura de singelo carpinteiro.
***
(a) Ronaldo Costa (O Arrebol Espírita)

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quinta-feira, 4 de outubro de 2018

EXAME DE VIRTUDE




Narra-nos um episódio autêntico que certo orientador do mundo israelita enviou um discípulo, que se notabilizara na interpretação dos Profetas, para determinada cidade, cujos habitantes se chafurdavam em vícios e enfermidades de toda espécie, com a recomendação de prestar-lhes concurso ativo.

Dois lustros correram, e porque as notícias do burgo fossem cada vez mais inquietantes, o guia do povo chamou o enviado, que compareceu, em atitude hierática, mostrando, na túnica lirial e no semblante mortificado de jejuns, a rigorosa observância da Lei.

Às primeiras interpelações ouvidas, respondeu, em tom grave:

- Mestre, para dar exemplo de virtude, retirei-me para o campo, onde todos sabem que existo.

-Compreendo – disse o mentor -, a solidão é necessária para que o pensamento se refaça com a inspiração divina; contudo, sem ligação com as criaturas humanas, é impraticável qualquer obra de auxílio.

E o entendimento continuou:

- Para não errar, vivo em completo mutismo, no fervor da oração.

- Medida essencialmente importante, mas, ainda que tenhamos de aprender em duras experiências, é preciso falar para que o bem seja feito.

- Expondo a pureza dos meus sentimentos, visto-me exclusivamente de branco...

- Costume honroso; no entanto, isso não deve impedir que nossa roupa se enodoe no trabalho de ajuda aos outros, para ser novamente lavada em momento oportuno.

Minhas refeições são apenas de ervas.

- Hábito excelente; contudo, para trazer o corpo em condições de servir, é importante não desertar dos sistemas da alimentação comum, embora seja nossa obrigação garantir a
simplicidade e fugir aos desregramentos, usando a carne, o leite, os ovos, as folhas, os frutos e as raízes dos animais e das plantas, tão somente na quota indispensável à manutenção da existência.

- Durmo sem qualquer agasalho, fustigando as tendências inferiores...

- Louvável propósito, mas, na preservação da saúde orgânica, é justo repousar, nos moldes em que os outros descansam, a fim de que a vida no corpo nos ofereça rendimento para o melhor.

- Faço, porém, muito mais... Tenho o leito eriçado de pregos, castigando a volúpia da carne...

- Nobre intento, sem dúvida... Entretanto, vale mais combater a nós mesmos, na prestação de serviço ao próximo, para que a nossa luta não seja vã...

Silenciando o pupilo, indagou o chefe:

- E a tarefa de que te incumbiste?

- Mestre – replicou o mensageiro, desapontado -, sinceramente devo dizer que os cuidados na apresentação da virtude me tomam o tempo todo...

Nisso, belo cavalo de alvo pêlo entrou no átrio da casa, conduzindo pobre ferido, cujas últimas energias o deserto esgotara...

O velho orientador comandou as providências iniciais de socorro e, trazendo o discípulo à frente do soberbo animal que escavava o solo, falou com bondade:

- Pois olha, meu filho, este cavalo igualmente mora no retiro da Natureza, não se expressa em linguagem humana, veste-se todo em cabelos cor de neve, come apenas a erva do chão, dorme ao relento, é calçado de cravos perfurantes e não passa de um cavalo... Mesmo assim, é o companheiro dos viajantes fatigados e, ainda agora, acaba de arrebatar um mercador prestimoso à sepultura de areia...

Em seguida, demandou o interior para confortar o recém-chegado, deixando o aprendiz a meditar quanto à vontade da virtude vazia.

***
Espírito: Irmão 'X (Poeta: Humberto de Campos)
Médium: Chico Xavier
Livro: Contos Desta e Doutra Vida


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