O Arrebol Espírita

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

LUGAR DEPOIS DA MORTE


Muitas vezes perguntas, na Terra, para onde seguirás, quando a morte venha a surgir...
Anseias, decerto, a ilha do repouso ou o lar da união com aqueles que mais amas...
Sonhas o acesso à felicidade, à maneira da criança que suspira pelo colo materno...
Isso, porém, é fácil de conhecer.
Toda pessoa humana é aprendiz na escola da evolução, sob o uniforme da carne, constrangida ao cumprimento de certas obrigações; nos compromissos do plano familiar; nas responsabilidades da vida pública; no campo dos negócios materiais; na luta pelo próprio sustento...
O dever, no entanto, é impositivo da educação que nos obriga a parecer o que ainda não somos, para sermos, em liberdade, aquilo que realmente devemos ser.
Não olvides, assim, enobrecer e iluminar o tempo que te pertence.
Não nos propomos nivelar homens e animais; contudo, numa comparação reconhecidamente incompleta, imaginemos seres outros da natureza trazidos ao regime do espírito encarnado na esfera física.
O cavalo atrelado ao carro, quando entregue ao descanso, corre à pastagem, onde se refocila na satisfação dos próprios impulsos.
A serpente, presa para cooperar na fabricação de soro antiofídico, se for libertada, desliza para a toca, onde reconstituirá o próprio veneno.
O corvo, detido para observações, quando solto, volve à imundície.
A abelha, retida em observação de apicultura, ao desembaraçar-se, torna, incontinenti, à colmeia e ao trabalho.
A andorinha engaiolada para estudo, tão logo se veja fora da grade, voa no rumo da primavera.
Se desejas saber quem és, observa o que pensas, quando estás sem ninguém; e se queres conhecer o lugar que te espera, depois da morte, examina o que fazes contigo mesmo nas horas livres.

***
Livro: Justiça Divina
Psicografado por: Chico Xavier
Ditado pelo Espírito: Emmanuel


(a) RONALDO COSTA (O Arrebol Espírita) 
https://www.facebook.com/durantdart

sábado, 7 de dezembro de 2013

OS MORTOS SE MANIFESTAM

As investigações atinentes à natureza e sobrevivência da alma devem ser feitas com o método idêntico ao das demais pesquisas científicas, livres de prejuízos e preconceitos e fora de toda e qualquer influência sentimental ou religiosa. Há, ou não há manifestação de mortos? Essa a questão. Ora, eu digo que há. O Jornal, no qual me orgulho de haver colaborado, ao tempo do seu fundador, meu espiritual amigo Xau, chamou a atenção para este problema secular, e assim venho oferecer aos seus leitores um fato dos que melhor me provaram a sobrevivência da alma. Ao mais céptico dos contraditores, desafio a sua explicação sem que admita a ação do defunto. Trata-se de um engenheiro e proprietário de duas fábricas, uma em Glasgow, outra em Londres. Na fábrica escocesa, tinha ele um empregado de nome Roberto Mackenzie, que lhe era profundamente reconhecido e devotado. O patrão residia em Londres. Uma sexta-feira, à noite, os operários de Glasgow davam o seu baile anual. Roberto Mackenzie, que não gostava de dançar, pediu licença para ficar no serviço do bufê. Tudo correu bem e a festa continuou no sábado. Na terça-feira seguinte, pouco antes de 8 horas, o engenheiro teve na sua casa de Campden-Hill a seguinte manifestação, que ele mesmo resumiu assim: “Sonhei que estava assentado junto de uma escrivaninha e conversava com um rapaz desconhecido. Roberto Mackenzie aproximou e eu, contrariado, perguntei-lhe um tanto áspero se me não via ocupado. Afastou-se contrariado, mas logo se aproximou novamente, como se precisasse de atenção imediata. Repreendi-o, então, com maior aspereza, exprobrando-lhe a impertinência. Nesse ínterim, a pessoa com quem antes conversava despediu-se e Mackenzie aproximando-se mais...
Que é isso Roberto? – disse-lhe irritado. – Não vês que estou ocupado?
Sim – respondeu –, mas é que eu preciso falar-lhe imediatamente...
Mas a que propósito? Que urgência é essa?
Quero dizer-lhe que estou sendo acusado por um feito que não pratiquei e necessito que o senhor o saiba e me exculpe do que me atribuem, porque estou inocente. – Depois, acrescentou: – não fiz o que eles dizem...
Mas, que foi? – repliquei ainda.
Repetiu a mesma coisa e então lhe perguntei naturalmente:
Mas, como te perdoar se não sei de que te acusam?
Jamais esquecerei o tom enfático da sua resposta em dialeto escocês: “Sabê-lo-eis em breve.” Minha pergunta foi feita, no mínimo, duas vezes e certo estou de que a resposta foi dada três vezes, da maneira mais expressiva. Nessa altura acordei, guardando certa inquietação do sonho tão singular. Não cogitava de qualquer significação, e eis que irrompe no quarto, minha mulher muito comovida, a agitar uma carta aberta e a exclamar:
Ah! James, que coisa horrível no baile dos operários... O Roberto suicidou!
Compreendendo o sentido da minha visão, repliquei-lhe tranquilizado e convicto:
Não, ele não se suicidou.
Como podes saber?
Porque ele me disse.
Quando ele apareceu – para não interromper a narrativa omiti este pormenor –, fiquei impressionado com o seu aspecto: o rosto azulado, de um azul desmaiado e a testa manchada como que de gotas de suor.
Eis o que ocorrera: Ao recolher-se, na noite de sábado, Mackenzie se enganara, tomando como de uísque uma garrafa de água-forte, e tendo de um trago ingerido um cálice, faleceu no domingo, em atrozes sofrimentos. Todos pensavam num suicídio e daí a sua manifestação, no intuito de desculpar-se. O mais curioso vem a ser que, procurando inteirar-me dos sintomas que produzem o envenenamento pela água-forte, verifiquei serem mais ou menos idênticos aos que apresentava a fisionomia de Roberto. A versão do suicídio não tardou a se desfazer, conforme carta do meu preposto na Escócia, recebida no dia imediato.
A meu ver, essa aparição pode ser atribuída ao profundo reconhecimento do rapaz, pelo fato de o haver tirado da miséria. Ele quereria conservar-se digno aos meus olhos.”
Eis a narrativa do industrial de Glasgow. Procurando revelar a verdade, a propósito de um pretenso suicídio, não prova esse operário a sobrevivência da alma? Convém assinalar, de passagem, que o suicídio é considerado crime, na Inglaterra.
Nós possuímos centenas de observações análogas, feitas por homens ponderados, que contam simplesmente o que se passou com eles. O único meio de fugir a explicações é negar os fatos, dizendo que são criações imaginárias, que as pretensas testemunhas mentiram. Ora, esse industrial de Glasgow era amigo de Gurney, um dos fundadores da Sociedade Inglesa de Investigações Psíquicas, que o conceituava e estimava como homem de bem a toda prova. Pois bem: a menos que acusemos de impostura todos os observadores, que os averbemos de visionários ou mais ou menos sandeus, havemos de admitir esses fatos, tal como admitimos a queda de um raio, caprichoso e inexplicado. Não se pode negar. Importa, antes, confessar francamente que há por aí toda uma ordem de coisas ainda desconhecidas às investigações cientificas. No caso particular que acabo de expor, esse rapaz, envenenado por equívoco, na noite de sábado para domingo, em Glasgow, apareceu na terça-feira seguinte, em Londres, ao seu patrão (que ignorava o fato) para lhe declarar que não se suicidara. Estava morto havia 48 horas. Ninguém poderá imaginar, nesse caso, a coincidência de um sonho tão exato e tão-pouco obra do acaso, ou o que quer que seja. Os que negam esses fatos são ignorantes, ilógicos, ou capciosos, de vez que, conhecendo-os, não atino como possam eliminar o ato do defunto.”
(Camille Flammarion)



(a) Ronaldo Costa (O ARREBOL ESPÍRITA)
https://www.facebook.com/durantdart

VIDA = APRENDIZADO


VIDA
APRENDIZADO

Pergunta O homem físico está sempre ligado ao seu pretérito espiritual?

Resposta - Como a maioria das criaturas humana se encontra em lutas expiatórias, podemos figurar o homem terrestre como alguém a lutar para desfazer-se do seu próprio cadáver, que é o passado culposo, de modo a ascender para a vida e para a luz que residem em Deus.
Essa imagem temo-la na semente do mundo que, para desenvolver o embrião, cheio de vitalidade e beleza, necessita do temporário estacionamento no seio lodoso da Terra, a fim de se desfazer do seu envoltório, crescendo, em seguida, para a luz do Sol e cumprindo sua missão sagrada, enfeitada de flores e frutos.

P A inteligência, julgada pelo padrão humano, será a súmula de várias experiências do Espírito sobre a Terra?

R - Os valores intelectivos representam a soma de muitas experiências, em várias vidas do Espírito, no plano material. Uma inteligência profunda significa um imenso acervo de lutas planetárias. Atingida essa posição, se o homem guarda consigo uma expressão idêntica de progresso espiritual, pelo sentimento, então estará apto a elevar-se a novas esferas do Infinito, para a conquista de sua perfeição.

P Como se registram as experiências do Espírito em uma encarnação, para servirem de patrimônio evolutivo nas encarnações subsequentes?

R - É no próprio patrimônio íntimo que a alma registra as suas experiências, no aprendizado das lutas da vida, acerca das quais guardará sempre uma lembrança inata nos trabalhos purificadores do porvir.

P Como devemos proceder para dilatar nossa capacidade espiritual?

R - Ainda não encontramos uma fórmula mais elevada e mais bela que a do esforço próprio, dentro da humildade e do amor, no ambiente de trabalho e de lições da Terra, onde Jesus houve por bem instalar a nossa oficina de perfectibilidade para a futura elevação dos nossos destinos de espíritos imortais.

P Pode existir inteligência sem desenvolvimento espiritual?

R - Diremos, melhor: inteligência humana sem desenvolvimento sentimental, porque nesse desequilíbrio do sentimento e da razão é que repousa atualmente a dolorosa realidade do mundo. O grande erro das criaturas humanas foi entronizar apenas a inteligência, olvidando os valores legítimos do coração nos caminhos da vida.

P O meio ambiente influi no espírito?

R - O meio ambiente em que a alma renasceu, muitas vezes constitui a prova expiatória; com poderosas influências sobre a personalidade, faz-se indispensável que o coração esclarecido coopere na sua transformação para o bem, melhorando e elevando as condições materiais e morais de todos os que vivem na sua zona de influenciação.

P Que se deve fazer para o desenvolvimento da intuição?

R - O campo do estudo perseverante, com o esforço sincero e a meditação sadia, é o grande veículo de amplitude da intuição, em todos os seus aspectos.

P Deve o crente criar imposições absolutas para si mesmo, no sentido de alcançar mais depressa a perfeição espiritual?

R - O crente deve esforçar-se o mais possível, mas, de modo algum, deve nutrir a pretensão de atingir a superioridade espiritual completa, de uma só vez, porquanto a vida humana é aprendizado de lutas purificadoras e, no cadinho do resgate, nem sempre a temperatura pode ser amena, alcançando, por vezes, ao mais alto grau para o desiderato do acrisolamento.
Em todas as circunstâncias, guarde o cristão a prece e a vigilância; prece ativa, que é o trabalho do bem, e vigilância, que é a prudência necessária, de modo a não trair novos compromissos. E, nesse esforço, a alma estará preparada a estruturar o futuro de si mesma, no caminho eterno do espaço e do tempo, sem o desalento dos tristes e sem a inquietação dos mais afoitos.

P - Qual a importância da palavra humana para as conquistas evolutivas do espírito?

R - A palavra é um dom divino, quando acompanhada dos atos que a testemunhem; e é através de seus caracteres falados ou escritos que o homem recebe o patrimônio de experiências sagradas de quantos o antecederam no mecanismo evolutivo das civilizações. É por intermédio de seus poderes que se transmite, de gerações a gerações, o fogo divino do progresso na escola abençoada da Terra.

P Reconhecendo que os nossos amigos do plano espiritual estão sempre ao nosso lado, em todos os trabalhos e dificuldades, a fim de nos inspirar, quais os maiores obstáculos que a sua bondade encontra em nós, para que recebamos os seus socorro indireto, afetuoso e eficiente?

R - Os maiores obstáculos psíquicos, antepostos pelo homem terrestre aos seus amigos e mentores da espiritualidade, são oriundos da ausência de humildade sincera nos corações; para o exame da própria situação de egoísmo, rebeldia e necessidade de sofrimento.

P As vibrações relativas ao bem e ao mal, emitidas pela alma encarnada no seu aprendizado terrestre, persistem no Espaço para exame e ponderação do futuro?

R - Haveis de convir convosco que existem fenômenos físicos, transcendentes em demasia, para que possamos examiná-los, devidamente, na pauta exígua dos vossos conhecimentos atuais.
Todavia, em se tratando de vibrações emitidas pelo Espírito encarnado, somos compelidos a reconhecer que essas vibrações ficam perenemente gravadas na memória de cada um; e a memória é uma chapa fotográfica, onde as imagens jamais se confundem. Bastará a manifestação da lembrança, para serem levadas a efeito todas as ponderações, mais tarde, no capítulo das expressões do mal e do bem.

P O preceito do “corpo são, mentalidade sadia”, poderá ser observado tãosomente pelo hábito dos esportes e labores atléticos?

R - No que se refere ao; “corpo são”, o atletismo tem papel importante e seria de ação das mais edificantes nos problemas da saúde física, se o homem na sua vaidade e egoísmo não houvesse viciado, também, a fonte da ginástica e do esporte, transformando-a em tablado de entronização da violência, do abastardamento moral da mocidade, iludida com a força bruta e enganada pelos imperativos da chamada eugenia ou pelas competições estranhas dos grupos sectários, desviando de suas nobres finalidades um dos grandes movimentos coletivos em favor da confraternização e da saúde.
Bastará essa observação para compreendermos que a “mentalidade sadia” somente constituirá uma realidade quando houver um perfeito equilíbrio entre os movimentos do mundo e as conquistas interiores da alma.

P A vida do irracional está revestida igualmente das características missionárias?

R - A vida do animal não é propriamente missão, apresentando, porém, uma finalidade superior que constitui a do seu aperfeiçoamento próprio, através das experiências benfeitoras do trabalho e da aquisição, em longos e pacientes esforços, dos princípios sagrados da inteligência.

P É um erro alimentar-se o homem com a carne dos irracionais?

R - A ingestão das vísceras dos animais é um erro de enormes consequências, do qual derivaram numerosos vícios da nutrição humana. É de lastimar semelhante situação, mesmo porque, se o estado de materialidade da criatura exige a cooperação de determinadas vitaminas, esses valores nutritivos podem ser encontrados nos produtos de origem vegetal, sem a necessidade absoluta dos matadouros e frigoríficos.
Temos de considerar, porém, a máquina econômica do interesse e da harmonia coletiva, na qual tantos operários fabricam o seu pão cotidiano. Suas peças não podem ser destruídas de um dia para o outro, sem perigos graves. Consolemo-nos com a visão do porvir, sendo justo trabalharmos, dedicadamente, pelo advento dos tempos novos em que os homens terrestres poderão dispensar da alimentação os despojos sangrentos de seus irmãos inferiores.

P Operários do aprendizado terrestre, como devemos encarar o texto sagrado do “lembra-te do dia de sábado para santificá-lo”, quando as obrigações de serviço proporcionam para isso os domingos?

R - O descanso dominical deve ser sagrado pelo homem, não por se tratar de um domingo, mas em virtude da necessidade de se estabelecer uma pausa semanal aos movimentos da vida física, para o recolhimento espiritual da alma em si mesma, no caminho das atividades terrestres. O repouso dominical substitui perfeitamente o sábado antigo, salientando-se que a rigidez da sua observância foi instituída pelos legisladores hebreus, em virtude da ambição e da prepotência dos senhores de escravos, numerosos na época, e que, somente desse modo, atendiam à medida de humanidade, concedendo uma trégua ao esforço exaustivo que costumava aniquilar a existência de servos fracos e indefesos.
O descanso semanal deve ser sempre consagrado pelo homem às expressões de espiritualidade da sua vida, sem se dar, porém, a qualquer excesso no domínio da letra, nesse particular, porque, após a palavra de Moisés, devemos ouvir a lição do Senhor, esclarecendo que “o sábado foi feito para o homem e não o homem par ao sábado”.

***
Livro: “O CONSOLADOR
Espírito: EMMANUEL
Médium: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER.


(a) RONALDO COSTA (O Arrebol Espírita)
https://www.facebook.com/o.arrebol.espirita