Antigamente, quem pretendia
alcançar o Céu, através do caminho religioso, usava cilícios inquietantes com
que castigava a carne dolorida.
Hoje, porém, compreendemos
que a matéria, embora viva com os milhões de corpúsculos que a constituem, é
recurso passivo ante a vibração espiritual.
Entendemos que a consciência
vive ante o corpo na posição do maquinista perante a locomotiva.
A harmonia ou o desequilíbrio
representam resultados da direção.
Não vale, pois, oprimir o
sangue sem disciplinar o coração.
Na atualidade, possuímos
cilícios valiosos que efetiva-mente cooperam em nossa redenção.
O silêncio amigo diante da
calúnia impensada.
A renunciação a certos
favores materiais, a benefício do companheiro que caminha conosco.
O sacrifício mudo pela
afeição que se transviou no roteiro terrestre.
A doação dos recursos que nos
façam falta, no amparo ao próximo.
A resistência às tentações de
nossa própria natureza inferior.
O esquecimento de vantagens
cabíveis à nossa situação, para que nossos companheiros se rejubilem com o
êxito, antes de nós.
A gentileza sem reclamação.
A caridade sem pagamento.
A noite de vigília à
cabeceira dos agonizantes.
O auxílio pessoal aos mais
infelizes.
O sorriso amigo diante da
suspeita sem razão de ser.
Semelhantes medidas são
sempre elementos espirituais do mais alto valor ao nosso progresso.
O Senhor não nos induziu a
atormentar o corpo, a fim de alcançarmos as Divinas Portas. Aconselhou
simplesmente a coragem de negarmos a nós mesmos, no combate ao nosso “eu”
egoístico e absorvente, a fim de que tornemos a cruz dos nossos deveres de cada
dia, seguindo-lhe os passos.
Certamente, se quisermos
sustentar nos próprios ombros o madeiro de nossas obrigações, atingiremos com o
Mestre a alvorada da redenção sublime para sempre.
***
Espírito: Emmanuel
Médium: Chico Xavier
Livro: Cartas do Coração
(a) RONALDO COSTA (O Arrebol Espírita)
https://www.facebook.com/o.arrebol.espirita

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