O Arrebol Espírita

segunda-feira, 12 de maio de 2014

PÁGINA ÀS MÃES


Mães queridas,
Vós que perdestes filhos bem-amados,
Somando tantas vidas
A que destes carinhos e cuidados,
De que só Deus na vida sabe a conta;
Mães, cuja imensa dor não se conforta
Com qualquer sofrimento que há no mundo,
Por mais rude e profundo,
Quisera amenizar-vos as feridas,
Que vos fizeram contundidas,
Súplices, desoladas, semimortas...
Entretanto, ai de mim!...
Com que verbo, meu Deus, poderia expressar
A dor que voz desfez a ventura do lar?
Como suprimiria
A sombra que voz guarda a suprema agonia?
De que modo afastar de vossa mente
Esses quadros cruéis que desenhais,
Manejando o pincel de angústia e espanto
Que humedeceis no fel de vosso pranto,
A dizer: “Nunca mais...?”

Entretanto, essas vidas juvenis
Seguem o sofrimento que sentis,
Choram com vossas lágrimas, padecem
Com a vossa mesma dor de que nunca se esquecem...
E rogam-vos consolo, paz, alegria e esperança,
Pedindo-vos trazê-los na memória,
Como quem atingindo os louros da vitória,
Desejam ser lembrados como são:
Espíritos valentes,
Prosseguindo contentes
No sublime ideal de elevação...

Enxugai vosso pranto
E, servindo, esperai
O reencontro feliz nas moradas do Pai...

Padecendo, chorando e amando sempre,
Aguardai outros dias
Em que renascereis de novas alegrias,
Sem o gelo terrível da saudade
De vossa longa espera
E sim na Inalterável Primavera
Ante o amor sem adeus da Eternidade.

Lembrar-vos-ei, porém,
Aquela antiga história de Belém...
Uma doce criança
Nasceu entre cantigas de esperança,
De uma frágil mulher quase menina...
Uma estrela no Azul, em altos resplendores,
Indicou-lhe a missão, fulgurante e divina.
Anjos do Céu uniram-se aos pastores
E entoaram louvores
Que em toda a Terra ainda não se ouvira...
O menino cresceu, plantando amor,
Amparava os humildes e os cansados,
Levantava os doentes,
Erguia corações desesperados
E transformava os homens inclementes
Em modelos de paz e de brandura,
Era um jovem trazendo a grandeza da Altura,
Referindo-se a Deus por Pai de Infinita Bondade,
Que nunca abandonou a Humanidade...
Pois, simplesmente porque amasse a todos,
Foi perseguido, preso, injuriado,
Depois levado à cruz
Em que morreu crucificado
Perante a multidão...
Foi assim que Jesus,
Sem amigos, na dor do último dia,
Teve somente o amparo de Maria,
A mão humilde que o seguiu de perto...
Heroína de amor e aceitação,
Não censurou ninguém.
De alma cansada e coração deserto,
Ela apenas chorou na bênção da oração,
Entregando-se a Deus
O Eterno Sol do Bem.

Embora a imensa dor, sempre ungida de fé,
A pobre mãe de Nazaré,
Esperou silenciando a alma ferida
Até que o filho amado,
Em retornando à vida,
Fez-se o ressuscitado,
E novamente erguendo corações,
Converteu-se no Guia das Nações.

Mães, que hoje sofreis, lembrai-vos dela,
Maria ser-vos-á consolação;
Entregai-lhe a amargura ao coração
E entendereis que os vossos filhos,
Joias de vossa luz,
Agora sob a névoa da saudade,
Ante o Anjo de Amor da Humanidade,
São irmãos de Jesus.

 
***
Espírito: Maria Dolores
Médium: Chico Xavier
Livro: Caminhos do Amor


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