O Evangelho:
Segundo o Espiritismo
“Ou
fazei a árvore boa, e o seu fruto bom, ou fazei a árvore má, e o
seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore.'
Mateus
c12 v33
Desconfiai dos falsos profetas.
Esta recomendação é útil em todos os tempos, mas sobre tudo nos
momentos de transição em que, como neste, se elabora uma
transformação da Humanidade, porque então uma multidão de
ambiciosos e de intrigantes se coloca como reformadores e como
messias. É contra esses impostores que é preciso manter em guarda,
e é dever de todo homem honesto os desmascarar. Perguntareis, sem
dúvida, como se os pode reconhecer: eis os seus sinais.
Não se confia o
comando de um exército se não a um general hábil e capaz de o
dirigir; credes, pois, que Deus, seja menos prudente do que os
homens? Estai certo de que ele não confia as missões importantes
senão aqueles que sabe que são capazes de as cumprir, porque as
grandes missões são fardos pesados, que esmagariam o homem muito
fraco para os carregar. Como em todas as coisas, o mestre deve saber
mais que o aprendiz; para fazer avançar a Humanidade moral e
intelectualmente, são preciso homens superiores em inteligência e
em moralidade! Por isso, são sempre Espíritos muito avançados,
tendo cumprido suas provas em outras existências, que se encarnam
com esse objetivo; porque se não são superiores no meio ao qual
devem agir, sua ação será nula.
Isto posto, conclui que
o verdadeiro missionário de Deus deve justificar a missão pela sua
superioridade, por suas virtudes, por sua grandeza, pelo resultado e
pela influência moralizadora de suas obras. Tirai ainda esta
consequência, se ele está, por que caráter, suas virtudes, sua
inteligência, abaixo do papel que se atribui, ou do personagem sob
o nome do qual se abriga, não é senão um histrião de baixa
categoria, que não sabe mesmo copiar o seu modelo.
Uma outra consideração
é que a maioria dos verdadeiros missionários de Deus se ignoram a
si mesmos; eles cumprem aquilo para o que foram chamados pela força
do seu gênio, secundados pela força oculta que os inspira e os
dirige com o seu desconhecimento, mas sem propósito premeditado.
Numa palavra, os verdadeiros profetas se revelam por seus
atos: são adivinhados; enquanto os falsos profetas se colocam, eles
mesmos, como os enviados de Deus; o
primeiro é humilde e modesto; o segundo é orgulho e cheio de si
mesmo; fala alto e, como todos os mentirosos, parece sempre temer não
ser acreditado. Têm-se visto esses impostores se apresentarem como
os apóstolos do Cristo, outros pelo próprio Cristo, e o que é a
vergonha da Humanidade é que tem encontrado pessoas bastante
crédulas para dar fé a
semelhante torpeza. Uma consideração, bem simples, entretanto,
deveria abrir os olhos do mais cego, é que se o Cristo se
reencarnasse sobre a terra, viria com todo o seu poder e toda as suas
virtudes, a menos que se admitisse, o que seria absurdo, que tivesse
degenerado; ora, da mesma forma que se tirasse de Deus um só de seus
atributos não teríamos mais Deus, se tirarmos um só dos atributos
de Cristo não teríamos mais o Cristo. Aqueles que se apresentam
como o Cristo tem todas as suas virtudes? Aí está a questão;
olhai; perscrutai seus pensamentos e os seus atos, e reconhecereis
que lhes faltam, acima de tudo, as qualidades distintivas de Cristo:
a humildade e a caridade, ao passo que tem o que ele não tinha: a
cupidez e o orgulho. Notai, alias, que há neste momento, e em
diferentes países, vários pretensiosos Cristos, como há vários
pretensos Elias, São João ou São Pedro, e que, necessariamente,
não podem ser todos verdadeiros.tendes por certo que são pessoas
que exploram a credulidade e acham cômodo viver às expensas
daqueles que os escutam.
Desconfiai, pois, dos
falsos profetas, sobretudo num tempo de renovação, porque muitos
impostores se dirão os enviados de Deus; eles se proporcionam uma
vaidosa satisfação sobre a Terra, mas uma terrível injustiça os
espera, podeis disto estais certo.
***
Do
livro: O Evangelho Segundo o EspiritismoAutor: Allan Kardec
Espírito: Erasto.

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