O Arrebol Espírita

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

CARACTERES DO VERDADEIRO PROFETA



O Evangelho: Segundo o Espiritismo

Ou fazei a árvore boa, e o seu fruto bom, ou fazei a árvore má, e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore.'
Mateus c12 v33


Desconfiai dos falsos profetas. Esta recomendação é útil em todos os tempos, mas sobre tudo nos momentos de transição em que, como neste, se elabora uma transformação da Humanidade, porque então uma multidão de ambiciosos e de intrigantes se coloca como reformadores e como messias. É contra esses impostores que é preciso manter em guarda, e é dever de todo homem honesto os desmascarar. Perguntareis, sem dúvida, como se os pode reconhecer: eis os seus sinais.

Não se confia o comando de um exército se não a um general hábil e capaz de o dirigir; credes, pois, que Deus, seja menos prudente do que os homens? Estai certo de que ele não confia as missões importantes senão aqueles que sabe que são capazes de as cumprir, porque as grandes missões são fardos pesados, que esmagariam o homem muito fraco para os carregar. Como em todas as coisas, o mestre deve saber mais que o aprendiz; para fazer avançar a Humanidade moral e intelectualmente, são preciso homens superiores em inteligência e em moralidade! Por isso, são sempre Espíritos muito avançados, tendo cumprido suas provas em outras existências, que se encarnam com esse objetivo; porque se não são superiores no meio ao qual devem agir, sua ação será nula.

Isto posto, conclui que o verdadeiro missionário de Deus deve justificar a missão pela sua superioridade, por suas virtudes, por sua grandeza, pelo resultado e pela influência moralizadora de suas obras. Tirai ainda esta consequência, se ele está, por que caráter, suas virtudes, sua inteligência, abaixo do papel que se atribui, ou do personagem sob o nome do qual se abriga, não é senão um histrião de baixa categoria, que não sabe mesmo copiar o seu modelo.

Uma outra consideração é que a maioria dos verdadeiros missionários de Deus se ignoram a si mesmos; eles cumprem aquilo para o que foram chamados pela força do seu gênio, secundados pela força oculta que os inspira e os dirige com o seu desconhecimento, mas sem propósito premeditado. Numa palavra, os verdadeiros profetas se revelam por seus atos: são adivinhados; enquanto os falsos profetas se colocam, eles mesmos, como os enviados de Deus; o primeiro é humilde e modesto; o segundo é orgulho e cheio de si mesmo; fala alto e, como todos os mentirosos, parece sempre temer não ser acreditado. Têm-se visto esses impostores se apresentarem como os apóstolos do Cristo, outros pelo próprio Cristo, e o que é a vergonha da Humanidade é que tem encontrado pessoas bastante crédulas para dar fé a semelhante torpeza. Uma consideração, bem simples, entretanto, deveria abrir os olhos do mais cego, é que se o Cristo se reencarnasse sobre a terra, viria com todo o seu poder e toda as suas virtudes, a menos que se admitisse, o que seria absurdo, que tivesse degenerado; ora, da mesma forma que se tirasse de Deus um só de seus atributos não teríamos mais Deus, se tirarmos um só dos atributos de Cristo não teríamos mais o Cristo. Aqueles que se apresentam como o Cristo tem todas as suas virtudes? Aí está a questão; olhai; perscrutai seus pensamentos e os seus atos, e reconhecereis que lhes faltam, acima de tudo, as qualidades distintivas de Cristo: a humildade e a caridade, ao passo que tem o que ele não tinha: a cupidez e o orgulho. Notai, alias, que há neste momento, e em diferentes países, vários pretensiosos Cristos, como há vários pretensos Elias, São João ou São Pedro, e que, necessariamente, não podem ser todos verdadeiros.tendes por certo que são pessoas que exploram a credulidade e acham cômodo viver às expensas daqueles que os escutam.

Desconfiai, pois, dos falsos profetas, sobretudo num tempo de renovação, porque muitos impostores se dirão os enviados de Deus; eles se proporcionam uma vaidosa satisfação sobre a Terra, mas uma terrível injustiça os espera, podeis disto estais certo.

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Do livro: O Evangelho Segundo o Espiritismo
Autor: Allan Kardec
Espírito: Erasto.

(a) RONALDO COSTA (O Arrebol Espírita)

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