O Arrebol Espírita

segunda-feira, 13 de março de 2017

O QUE VÊS NESSA FOTO?...



(Pedaços de Mim)

...Vês um príncipe, um sábio, uma potestade, o senhor da posse;
Vês também o tirano, o abusador, o injusto, o perverso, que ao se encontrar depois da morte viu mudar toda a sua sorte, para conhecer a claridade da justiça e da verdade, no recanto das trevas, para onde toda maldade nos leva. Mas, nos tormentos da alma em chagas e da consciência em brasas, reconhecendo que sempre fora um vilão, um déspota sem coração;  provando o fel de angústia e agonia, lembrou-se do Deus de quem alguém falara um dia.  E em compungida prece e oração, com palavras polidas em lágrimas, elevou seus olhos ao firmamento para apresentar seu profundo lamento; e rogando à divina bondade, suplicou-lhe por caridade, apenas um fagulho de sua piedade. Foi quando, no lodo sombrio do Umbral, viu surgir divina patrulha sideral, seres luminosos descendo do mais além, servos do senhor, anjos do bem. Irmãos que, com olhos de compaixão e irradiando compreensão, o retiraram das sombras e o levaram para a luz, onde lhe ensinaram, conscientizaram, prepararam e o auxiliaram, para aqui voltar.

Hoje, louvando a Deus, pela benção das oportunidades eternas (“É preciso nascer de novo... Cada um segundo as suas obras...”) segue pelo caminho do amor e do sofrimento, para reparar seus erros de outros tempos...

...Porque DEUS é AMOR eterno, e sua misericórdia dura para SEMPRE!

***
-Senhor, ensinai-me a ter fé, humildade, resignação e coragem, para merecer a benção com que me amaste. Que se cumpra sempre a tua vontade, porque não passo de um pobre infeliz! Teu eterno aprendiz!

Porquanto tão encarecidamente me amou, também eu o livrarei; pô-lo-ei em lugar segura, porque conheceu o meu nome.
Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; dela o retirarei, e o glorificarei.
Fartá-lo-ei com fartura de dias, e lhe mostrarei a minha salvação.”
(Salmos cap91 vs14-16)

***

Esta é apenas uma parte de minha história, que me foi contada por testemunhas do invisível, em voz inconfundível, para que jamais me esqueça que Deus ama a todos, os daqui e os do além, e que agora os conto para que saibam que Deus os ama também.



(a)  RONALDO COSTA (O Arrebol Espírita)


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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

O FAROLEIRO DESPREVENIDO


O soldado Teofrasto, homem de excelente coração, fora nomeado faroleiro por Alcebíades, na expedição da Sicília, a fim de orientar as embarcações em zona perigosa do mar.

Por ali, rochedos pontiagudos esperavam sem piedade as galeras invigilantes. Ainda mesmo fora da tempestade, quando a fúria dos deuses não soprava sibilante sobre a Terra, derribando casas e arvoredo, os pequenos e grandes barcos eram como que atraídos aos penhascos destruidores, qual ovelhas precipitadamente conduzidas ao matadouro.

Quantos viajantes havia já perdido a vida e os bens na traiçoeira passagem? Quantos pescadores incautos não mais regressaram à benção do lar? Ninguém sabia.

Preservando, porém, a sorte de seus comandados, o grande general situou Teofrasto no farol que se erguia na costa, com a missão de iluminar o caminho equóreo, dentro da noite.

Para garantir-lhe o êxito, mandou-lhe emissários com vasta provisão de óleo puro. O servidor, honrado com semelhante mandato, permaneceria no ministério da luz contra as trevas, defendendo a salvação de todos os que transitassem pelas águas escuras.

De início, Teofrasto desenvolveu, sem dificuldade, a tarefa que lhe competia. Findo o crepúsculo, mantinha a luz acesa, revelando a rota libertadora.

Quando os vizinhos, porém, souberam que o soldado guardava um coração terno e bondoso, passaram a visitá-lo, amiúde. Realmente estimavam nele a cordialidade e a doçura, mas o que procuravam, no fundo, era a concessão de óleo destinado às pequenas necessidades que lhes eram próprias.

O soldado, a breve tempo, era cercado de envolventes apelos.

Antifon, o lavrador, veio pedir-lhe meio barril do combustível para os serões de sua fazenda.

Eunice, a costureira, rogou-lhe duas ânforas cheias para terminar a confecção de algumas túnicas, além das horas do dia.

Embolo, o sapateiro, alegando que o pai agonizava, implorou-lhe a doação de alguns pratos de azeite, a fim de que o genitor não morresse às escuras. Crisóstomos, o fabricante de ungüentos, reclamou cinco potes destinados à manipulação de remédios. Cor Ciro, o negociante, implorou certa cota mais elevada para sustento de algumas tochas.

Todos os afeiçoados das redondezas, interessados em satisfazer as exigências domésticas, relacionaram solicitações simpáticas e comoventes.

Teofrasto, atingido na sensibilidade, distribuiu o combustível precioso pela ordem das rogativas. 

Não podia sofrer o quadro angustioso, afirmava. As requisições, no seu parecer, eram justas e oportunas.

Assim foi que, ao término de duas semanas, se esgotou a reserva de doze meses.

O funcionário não pôde comunicar-se facilmente com os postos avançados de comando e, tão logo se apagou o farol solitário, por várias noites consecutivas os penhascos espatifaram embarcações de todos os matizes.

Prestigiosos contingentes de tropas perderam a vida.

Confiados pescadores jamais tornaram ao ninho familiar.

Comerciantes diversos, portadores de valiosas soluções e problemas inquietantes da luta humana, desceram aflitos ao abismo do mar.

Alcebíades, naturalmente indignado, exonerou o servidor do elevado encargo, recomendando-lhe fosse aplicado às penas da lei.

O médium cristão é sempre um faroleiro com as reservas de óleo das possibilidades divinas, a benefício de todos os que navegam a pleno oceano da experiência terrestre, indicando-lhes os rochedos das trevas e descerrando-lhes o rumo salvador: todavia, quantos deles perdem a oportunidade de serviço vitorioso pela prisão indébita nos casos particulares que procedem geralmente de bagatelas da vida?

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Espírito: Irmão ‘X
Médium: Chico Xavier
Livro: Contos e Apólogos




(a)  RONALDO COSTA (O Arrebol Espírita)


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ÁGAPE


Os gregos antigos eram muito sofisticados ao falar sobre o amor.
Segundo eles, era impossível utilizar uma única palavra para definir tudo aquilo que a nossa cultura chama, unicamente, amor.
Para eles, havia seis formas de amor, cada qual com suas características.
O primeiro tipo, o amor Eros, era nomeado assim por conta do deus grego da fertilidade, representando a ideia de paixão.
Eros era o amor capaz de dominar e eximir o ser de sua racionalidade. Envolvia uma falta de controle, que assustava os gregos.
A segunda variedade, o Philia, era relativo à amizade, à fidelidade entre companheiros unidos por laços fraternos.
Essa forma de amor era muito mais valorizada do que a primeira.
O Ludus, terceira forma, guardava relação com a diversão, com a afeição, com as boas companhias e com o prazer de se estar ao lado de quem se quer bem.
O amor Àgape, quarto tipo, era a mais radical das formas. Foi traduzido mais tarde para o latim como Caritas, do qual se originou o termo caridade.
Ágape representava o amor abnegado, desinteressado. Aquele que se estende ao próximo, a fim de transformá-lo em um irmão.
Essa é a forma de amor ensinada na maioria das tradições religiosas.
No cristianismo, representa o amor divino que deve ser cultivado e estendido aos nossos semelhantes, seguindo o ensinamento de Jesus: Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a vós mesmos.
Ainda, o amor Pragma, o amor maduro, resultado de profundo entendimento, consideração, respeito e admiração, que se desenvolve entre casais de longo matrimônio e entre pessoas que convivem muitos anos.
Passadas as ilusões, deixam se levar pela alegria da convivência. É o júbilo de saber que o outro ali está, em todos os momentos e circunstâncias, por mais difíceis e dolorosas que elas sejam.
Finalmente, a última forma, o amor Philautia ou autoamor. Não se trata de narcisismo, mas sim de uma maneira muito mais elevada de amor.
Os gregos entendiam que, quanto mais a criatura se ama, mais amor tem a oferecer.
De que forma entendemos o amor? O que ele representa para nós? Como damos, recebemos e vivenciamos o amor?
Entregamo-nos aos preceitos de Jesus, buscando o autoamor, o amor ao próximo, o amor familiar e fraternal, o amor abnegado?
Ou ainda nos perdemos nas teias de Eros, das ilusões e paixões, dos interesses?
Qual a nossa verdadeira compreensão do que é o amor?
Importante se faz a reflexão a respeito. Importante que analisemos nossas ações, nossos sentimentos, a fim de bem avaliarmos de que espécie é o amor que nos move.
O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta, dizia o Apóstolo Paulo.
Pensemos nisso! Pensemos sobre o amor. Busquemos o amor que se oferece, que é fiel, que vive a alegria de ver o outro feliz.
Vivenciemos o amor, em suas nuances mais sublimes, sempre, diária e constantemente.

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Espírito: Emmanuel
Médium: Chico Xavier
Livro: Pensamento de Vida



(a)  RONALDO COSTA (O Arrebol Espírita)

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