O Arrebol Espírita

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

NA ASCENSÃO

Poderás, em verdade,
Exercer facilmente
O nobre auxílio aos outros.
Não te custa sorrir
Para os filhos da dor
Que choram desolados
Quando brilha a alegria
No caminho em que avanças.
Não te pesa entregar
A quem sofre com fome
Quanto te sobra à mesa
Na graça da abastança.

Não te pesa o consolo
Quando a calma te ajuda,
Nem te fere amparar
A quem geme na sombra
Quando há sol em teu peito,
Sob as bênçãos do céu...
Mas o auxílio a ti mesmo
Nas chagas da amargura,
Pelo santo remédio
Da humildade e da paz,
É sempre o sacrifício
E a renúncia em ação.

Se desejas, portanto,
Redimir a ti próprio,
Se procuras, na vida,
O socorro a ti mesmo,
Aprende a caminhar
Sob a cruz do dever,
Aceitando na dor
O bálsamo divino...

Se pretendes subir
Ao calvário da glória,
Procurando com Cristo
A Eterna redenção,
Recebe em cada golpe
Da jornada terrestre,
O generoso impulso
Da vida que te eleva
Dos abismos da treva
Aos píncaros da luz.

 ***
Espírito: Rodrigues de Abreu
Médium: Chico Xavier
Livro: Relicário de Luz


(a) Ronaldo Costa (O Arrebol Espírita)
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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

ANTE OS ADVERSÁRIOS

                                                                                     

Interpretemos nossos adversários por irmãos, quando não nos seja possível recebê-los por instrutores.

Quando o Senhor nos aconselhou a paz com os inimigos do nosso modo de ser, recomendou-nos certamente o olvido de todo o mal.

Às vezes, fustigando aqueles que nos ofendem, a pretexto de servirmos à verdade, quase sempre faltamos ao nosso dever de amor.

Nem todos podem enxergar a vida por nossos olhos ou aceitar o mapa da jornada terrestre, através da cartilha dos nossos pontos de vista.

E, não raro, em zurzindo os outros com o látego de nossa crítica ou intoxicando-os com o vinagre de nosso azedume, procederemos à maneira do lavrador que enlouquecesse, de improviso, espalhando cáusticos destruidores sobre a plantação nascente, necessitada de auxílio pela fragilidade natural.

Claro que o amor fraterno encontra mil modos diversos para fazer-se sentir, no reajuste das situações difíceis no caminho da vida e é justamente para a verdadeira solidariedade que devemos apelar em qualquer circunstância obscura do roteiro comum.

Se não apagamos o incêndio, atirando-lhe combustível, e se não podemos sanar feridas, alargando-lhes as bordas, a golpes de força, também não entraremos em harmonia com os nossos adversários por intermédio da violência.

Usemos o amor que o Mestre nos legou, se desejamos a paz na Vida Maior.

Compreendamos aos que nos ofendem.

Oremos pelos que nos perseguem ou caluniam.

Amparemos os que nos perturbam.

Sejamos o apoio dos companheiros mais fracos.

E o Divino Senhor da Vinha do Mundo, que nos aconselhou o livre crescimento do joio e do trigo, no campo da Terra, em momento oportuno, se fará revelar, amparando-nos e selecionando os nossos sentimentos, através do seu justo julgamento.


                                                           ***
Espírito: Emmanuel 
Médium: Chico Xavier
Livro: Instrumentos do Tempo


(a) Ronaldo Costa (O Arrebol Espírita)
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quinta-feira, 30 de agosto de 2018

AMANHÃ EU FAÇO





Ele mesmo declarou que sua maior imperfeição moral era a preguiça. Ao final da existência, lamentou-se do péssimo hábito de tudo deixar para amanhã. Não levava adiante as providências em andamento, preferia adiar compromissos, sempre se atrasava em tudo e não percebia que seus atrasos prejudicavam terceiros, traziam aflições a quem dele dependia e que o maior lesionado de suas atitudes negligentes era ele mesmo.
Chamava-se João e o “amanhã” foi acrescentado como apelido. Ficou conhecido, pois, com o nome de João Amanhã. Todos conheciam aquele homem que sempre apresentava desculpas, muitas delas bem esfarrapadas, para justificar atrasos ou não cumprimento dos mais elementares deveres, o que trouxe muito sofrimento para seus pais, durante toda a vida. Na verdade, porém, os pais foram os maiores responsáveis pelo adulto negligente, pois não o corrigiram na infância, concordando com sua costumeira indolência.
A mãe tentou corrigi-lo na adolescência, entregando-o aos cuidados de um tio muito trabalhador e disciplinado que viajava muito. O rapaz o acompanhou, mas alguns meses depois recebeu comunicado da mãe para que voltasse, face à enfermidade que acometera o pai. O rapaz deixou para viajar no dia seguinte, como de hábito em tudo que fazia. Por força do adiamento, no dia seguinte, o veículo coletivo sofreu avaria causando considerável atraso na viagem. Indiferente com o reparo, resolveu adiar novamente a viagem, para o próximo dia.
Quando conseguiu chegar o pai já havia morrido.
Mas não foi só. Um outro tio, solteiro, solicitou sua presença para cuidar de seus negócios – face a impedimento inesperado – e ele novamente viajou. Deixou a namorada e prometeu voltar assim que possível. Seis meses depois, em virtude de adiamentos sucessivos, quando tentou voltar, novamente perdeu o veículo coletivo que o traria de volta. No dia seguinte, quando viajaria, amanheceu enfermo e impossibilitado de viajar. Com isso, até se recuperar foram mais de três meses. Numa época em que ainda não havia telefones, ficou de escrever para a mãe e para a namorada, mas sempre deixava para o dia seguinte. A mãe a namorada acharam que ele tinha morrido, em face da ausência de notícias. A mãe enfermou e a namorada decidiu ir para o convento.
Quando chegou, um ano depois, a mãe havia morrido. A noiva, surpreendida pela volta do namorado, e agora já com votos religiosos, suicidou-se. Ele, por sua vez, por negligência contumaz, após a morte da mãe, foi sucessivamente perdendo os próprios bens e os recursos básicos de sobrevivência. Transformou-se num mendigo, passou fome e vivia da caridade alheia, sem movimentar-se para nada. Quando solicitava esmolas para comer, diziam-lhe: você não comeu hoje, comerá amanhã. Morreu de fome, abandonado. E até seu corpo ficou insepulto naquela noite, pois os coveiros – numa tarde de chuva torrencial – disseram uns para os outros: deixemos para amanhã, como ele sempre fazia…
A vida é dinâmica e pede iniciativa, providências contínuas que nos preservem de enfermidades e nos garantam o sustento e o equilíbrio da própria existência. Entregar-se a atitudes irresponsáveis como a preguiça é um grande mal.
Observemos se nossos comportamentos não geram aflição para os outros, se nossos adiamentos e atrasos não prejudicam outras iniciativas e decisões. Nossas costumeiras pendências, alimentadas e mantidas, não se enquadram no triste exemplo acima, guardadas as devidas proporções?
Quando nos atrasamos com compromissos, quando não respondemos a alguém que nos aguarda, quando não damos notícia ou quando mesmo não cumprimos nossos compromisso e deveres, estamos lesando alguém. Quando não respeitamos horários e permanecemos indiferentes com a série de obrigações diárias da simples convivência, não estaremos nós lesando a tranquilidade alheia e trazendo prejuízos ao bem geral?
Afinal quem somos para exigir benefícios pessoais em detrimento da harmonia do conjunto?
Quem privilégio achamos que detemos acima de outras pessoas?
É algo para pensar, não é? Um bom convite a uma autoanálise sobre nós mesmos. Uma ótima oportunidade para pensar se não somos os velhos egoístas de sempre. Achar-se alguém superior a outrem é bem uma tola pretensão descabida. Ninguém é maior ou menor do que ninguém. Somos todos iguais, apesar das diferenças que possamos ter...


***
Por Orson Carrara, texto enviado pelo autor.
www.caminhosluz.com.br


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