O Arrebol Espírita

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

A PORTA ABERTA



Foi na Escócia, em Glasgow, que esta história aconteceu. A adolescente tinha problemas em casa, vivendo revoltada com os limites impostos por seus pais. Ela queria liberdade plena.

Seus pais lhe ensinaram a respeito de Deus e de Suas Leis justas e imutáveis. Um dia, ela declarou: Não quero seu Deus. Desisto, vou embora.

Saiu de casa, alcançou os jardins do mundo e almejou ser uma mulher que pudesse fazer o que desejasse. Logo descobriu que não era tão fácil viver sozinha, tendo que arcar com sua própria subsistência.

O alimento, as roupas, um lugar para viver. Tudo era extremamente caro. Incapaz de conseguir um trabalho, frágil e só, ela acabou por se prostituir para simplesmente sobreviver.

Os anos se passaram. Seu pai morreu. Sua mãe envelheceu. E ela nunca mais tentou qualquer contato com os seus.

Certo dia, a mãe ouviu falar do paradeiro da filha. Foi até o local de prostituição da cidade, tentando resgatá-la, mas não a encontrou.

No caminho de volta, tomou uma resolução. Parou em cada uma das igrejas e templos e pediu licença para deixar ali uma foto sua.

Era uma foto daquela mãe grisalha e sorridente, com uma mensagem manuscrita: Eu ainda amo você. Volte para casa.

Os meses se passaram. Nada aconteceu. Então, um dia, a jovem foi a um local onde se distribuía sopa para os carentes. Sentou-se, enquanto alguém fazia uma palestra sobre aquelas coisas que ela ouvira durante toda sua infância.

Em dado momento, seu olhar se voltou para o lado e viu o quadro de avisos. Pareceu reconhecer aquela foto.

Seria possível?

Não se conteve. Levantou-se e leu a mensagem: Eu ainda amo você. Volte para casa.

Reconheceu sua mãe no retrato. Era bom demais para ser verdade.

Ela desejara tantas vezes voltar, mas temia não ser recebida. Afinal, ela se transformara numa vergonha para os seus pais. Era uma mulher perdida. Objeto de tantos homens.

Era noite, mas, tocada por aquelas palavras, foi caminhando até sua casa. Amanhecia o dia, quando chegou. O sol se espreguiçava em sua cama de nuvens e seus raios escorriam radiantes, inundando a Terra de pequeninos pontos de luz.

Ela se aproximou, tímida. Não sabia bem o que fazer. Bateu à porta e ela se abriu sozinha. Sobressaltou-se.

Alguém arrombara a casa, pensou. Preocupada com sua mãe, correu para o quarto e viu sua mãe dormindo.

Acordou-a, chamando-a: Mãe sou eu. Voltei para casa.

A idosa senhora mal podia acreditar. Abraçou-se à filha, em lágrimas.

Fiquei tão preocupada, mãe. A porta estava aberta. Pensei que alguém tinha entrado e a tivesse ferido.

Enquanto passava as mãos, docemente, pelos cabelos da filha, falou a mãe: Filha querida. Desde o dia em que você se foi, a porta nunca mais foi fechada.

Alguém escreveu certa vez ao seu filho: Quando você era pequeno e bastava estender a mão para tocá-lo, eu usava cobertores para protegê-lo do frio da noite.

Mas agora que você cresceu e está fora do alcance, junto minhas mãos e cubro você com minhas orações.

De todos os amores, o mais próximo de Deus é, possivelmente, o amor de mãe, pois ele sempre está pronto para estender as mãos e erguer o filho tombado, não importa se no abismo da desonra, no pântano da indignidade ou na noite das incertezas.



***
Por Redação do Momento Espírita, com base no cap. A porta aberta, de Robert Strand, do livro Histórias para aquecer o coração das mães, de Jack Canfield, Mark Victor Hansen, Jennifer Read Hawthorne e Marci Shimoff, ed. Sextante.


(a) RONALDO COSTA (O Arrebol Espírita)

EXORTADOS A BATALHAR


“Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade dirigir-vos esta carta, exortando-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos.” – (JUDAS, 3.)


O Cristianismo é campo imenso de vida espiritual, a que o trabalhador é chamado para a sublime renovação.

O sedento encontra nele as fontes da “água viva”, o faminto, os celeiros do “eterno pão”. Os cegos de entendimento nele recebem a visão do caminho; os leprosos da alma, o alívio e a cura.

Todos os viajores da vida, porém, são felicitados pelos recursos indispensáveis à jornada terrestre, com a finalidade de se erguerem, de fato, nAquele que é a Luz dos Séculos. Desde então, restaurados em suas energias espirituais, são exortados a batalhar na grande causa do bem.
Ninguém se engane, pois, na oficina generosa e ativa da fé.

No serviço cristão, lembre-se cada aprendiz de que não foi chamado a repousar, mas à peleja árdua, em que a demonstração do esforço individual é imperativo divino.

Jesus iniciou, no círculo das inteligências encarnadas, o maior movimento de libertação do espírito humano, no primeiro dia da Manjedoura.

Não se equivoquem, pois, os que buscam o Mestre dos mestres… Receberão, certamente, a esperada iluminação, o consolo edificante e o ensinamento eficaz, mas penetrarão a linha de batalha, em que lhes constitui obrigação o combate permanente pela vitória do amor e da verdade, na Terra, através de ásperos testemunhos, porque todos nós, encarnados e desencarnados, oscilantes ainda entre a animalidade e a espiritualidade, entre o vale do homem e a culminância do Cristo, estamos constrangidos a batalhar até o definitivo triunfo sobre nós mesmos pela posse da Vida Imortal.



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Espírito: Emmanuel
Médium:Chico Xavier
Livro: Vinha de Luz



(a) RONALDO COSTA (O Arrebol Espírita)

sábado, 3 de janeiro de 2015

POR QUÊ DEUS PERMITE O DESENCARNE DE UMA CRIANÇA?



Por que a vida se interrompe com frequência na infância?

- A duração da vida da criança pode ser, para o seu Espírito, o complemento de uma vida interrompida antes do termo devido, e sua morte é frequentemente uma prova ou uma expiação para os pais.

Em que se transforma o Espírito de uma uma criança morta em tenra idade?

- Recomeça uma nova existência.


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Se o homem tivesse apenas uma existência, e se, após essa, sua sorte fosse fixada para a eternidade, qual seria o merecimento da metade da espécie humana, que morre em tenra idade, para gozar sem esforço da felicidade eterna? E com que direito seria ela libertada das condições, quase sempre duras, impostas à outra metade? Uma tal ordem de coisas não poderia estar de acordo com a justiça de Deus. Pela reencarnação, faz-se a igualdade para todos: o futuro pertence a todos, sem exceção e sem favoritismo, e os que chegarem por último só poderão queixar-se de si mesmos. O homem deve ter o mérito das suas ações como tem a sua responsabilidade.
Não é, aliás, razoável, considerar a infância como um estado de inocência. Não se vêem crianças dotadas dos piores instintos, numa idade em que a educação ainda não pôde exercer a sua influência? Não se vêem algumas que parecem trazer inatos a astúcia, a falsidade, a perfídia, o instinto mesmo do roubo e do assassínio, e isso não obstante os bons exemplos do meio? A lei civil absolve os seus erros por considerar que elas agem mais instintivamente do que por deliberado propósito. Mas de onde podem vir esses instintos tão diferentes entre crianças da mesma idade, educadas nas mesmas condições, e submetidas às mesmas influências? De onde vem essa perversidade precoce, a não ser da inferioridade do Espírito, pois que a educação nada tem com ela? Aqueles que são viciosos é que progridem menos e têm então de sofrer as consequências, não dos seus atos da infância, mas das suas existências anteriores. É assim que a lei se mostra a mesma para todos, e a justiça de Deus a todos abrange.


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Livro dos Espíritos – Allan Kardec – Pergunta 199 e 199-a


(a) RONALDO COSTA (O Arrebol Espírita)
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