O Arrebol Espírita

terça-feira, 25 de novembro de 2014

HOLOCAUSTO À FÉ



A mensagem rutilante avançava gloriosa por quase todo o Império.

No Oriente, a Palavra alcançara o Egito, Bizâncio, Cartago, Líbia e se ampliara imensamente em Israel, mesmo sob perseguições insanas... No Ocidente, galvanizava as vidas que se dedicavam a Jesus, pela imensidão da Espanha, das Gálias, da Península Itálica e particularmente na capital do Império, com incomparáveis demonstrações de fidelidade que culminava com o sacrifício da própria vida, abalando as estruturas hegemônicas das Legiões...

Depois das calamitosas perseguições que se prolongaram com mais ou menos vigor, Roma havia amenizado o cerco à doutrina do Crucificado, e embora não fosse aceita legalmente, conseguira erguer igrejas, difundir os ensinamentos, publicar as lições incomparáveis do Mestre, realizar reuniões...

Penetrando as classes dominantes, era praticada por comandantes de algumas tropas e seus soldados, por governantes de cidades e pelo povo...

Diocleciano, após muitas lutas sangrentas assumira a governança geral de todo o Império em 284, embora dividisse algumas regiões com outros guerreiros, logo percebendo o perigo que ameaçava a unidade de Roma, que se espalhava por, praticamente, todo o mundo conhecido, porquanto, não poucos generais e comandantes de legiões vinculados à fé cristã, recusavam-se a guerrear, não matando quem quer que fosse, e a impor as leis severas que se faziam necessárias para impedir as sedições e a fragmentação.

Advertido, mais de uma vez, por alguns generais pagãos que se opunham à fraternidade e à doutrina contrária aos deuses das suas tradições politeístas, encomendou o primeiro Édito, firmado no dia 23 de fevereiro de 303, data reservada á celebração da festa da Terminália, que se tratava de homenagear o deus Terminus, protetor das famílias e das fronteiras, coibindo a expansão da doutrina cristã, autorizando a queima dos documentos da fé nascente e a punição dos que se opunham a atender aos deveres do Estado... A seguir, mandou preparar mais dois Éditos, que se transformaram em instrumentos de perseguição sistemática e cruel, variando de acordo com a região em que eram aplicados, caracterizando o pior e o mais perverso período enfrentado pelos novos cristãos.

As mais terríveis técnicas foram aplicadas para que abjurassem a fé e homenageassem os deuses.

Os holocaustos ficariam célebres pela rudeza da aplicação das penas, especialmente nos líderes das igrejas como em relação ao poviléu.

Propunha-se que abjurassem a crença e teriam a benevolência do Imperador. Mas quase todos, apenas um pequeno número de apóstatas, permaneceram fiéis e estoicamente enfrentaram os algozes perdoando-os como fizera Jesus.

Em Antioquia, como em Roma, alongando-se pelas Províncias, mesmo as mais distantes da capital, os cristãos eram queimados vivos em grelhas e postes, decapitados, empalados, atirados às feras, mandados ao trabalho forçado em minas perigosas de onde nunca poderiam sair com vida...

Um pouco antes, por volta do ano 280, Maximiano avançou com a Legião Tebana que fazia parte do seu exército, conseguindo a vitória almejada. Por ocasião do retorno a Agaunum, na Suíça, Maximianus, exultante, impôs que todo o exército deveria homenagear os deuses e fazer sacrifícios, coroando os atos com a proposta de execução de alguns cristãos que estavam aprisionados.

Ocorreu o inesperado, porque a Legião Tebana, comandada pelo capitão Maurício, negou-se a fazê-lo, já que era constituída de cristãos, não atendendo à imposição de celebrar os ritos impostos...

Contrariado, Maximinus sendo desobedecido, impôs que a Legião fosse dizimada, isto é, um entre dez soldados fosse assassinado. Ninguém recuou, e o processo hediondo prosseguiu até a destruição da Legião, inclusive, com a morte do seu comandante, ampliando-se por outras partes do Império...

Diocleciano e seus sequazes, logo após o primeiro Édito, destruíram igrejas, e somente não as incendiaram porque receavam o alastramento das chamas, tendo em vista que as mesmas haviam sido construídas ao lado de grandes edifícios.

É nesse período de hediondez que desaparecem os preciosos documentos originais que narram a história do Evangelho e do suave Rabi, todos ou quase todos reduzidos a cinzas...

Essa página de hediondez histórica permaneceu em atividade perversa por dez anos, somente sendo modificada no dia 13 de junho de 313, quando Constantino e Licínio propuseram o Édito de Milão, iniciando-se uma nova era para a fé cristã.

A liberalidade do novo Imperador logo transformou o Cristianismo em doutrina do Estado, conspurcando a pureza do comportamento moral dos seus adeptos, ceifando a humildade e a simplicidade nascidas na Manjedoura de Belém, tornando-o poderoso e infiel.

Ao longo do tempo, a fim de manter a autoridade e o poder terreno, face à perda dos valores morais, os seus escritores e copistas adulteraram os fatos, interpolaram as informações, falsificaram os ensinamento, criaram dogmas ultrajantes, compatíveis com as formulações políticas e arbitrárias, dando lugar às lamentáveis perseguições aos hereges que eram todos aqueles que não compactuavam com os absurdos estabelecidos pelo Papa e pelo Colégio dos Cardeais, assim como pelos membros da organização em defesa da fé...

As inqualificáveis Cruzadas são as heranças absurdas da temeridade do poder dos Papas e Reis alucinados pelas glórias do mundo, mais tarde ampliadas pela Inquisição que se utilizou dos mesmos métodos que Diocleciano usara, aprimorados pela volúpia da loucura humana que se alastrava...

Foi transformada a Mensagem em força de destruição contra os judeus e ou mouros, contra os albigenses, que tinham também direito à vida, por serem as outras ovelhas que não eram do rebanho, conforme se referira Jesus.

O inevitável progresso, porém, através dos tempos futuros rompeu a densa treva da ignorância e de alucinação, libertando os asfixiados ideais humanos de liberdade, de fraternidade e de dignidade, ao tempo em que o ser humano alcançou e compreendeu as leis do Universo, relegando ao olvido a presunção e prepotência dogmáticas...

Novos tempos, novos conteúdos comportamentais e decadência da fé cristã, dividida, na atualidade, pelo fanatismo dos neopentecostalistas e dos indiferentes vinculados à tradição, deixando as massas sofredoras ao abandono e à desordem moral.

Nada obstante, graças ao advento de O Consolador, renasce a Mensagem dúlcida e simples de Jesus, evocando o sublime Amigo, que prossegue convidando aqueles que O amam ao holocausto pela fé e à abnegação na tarefa do amor em todas as suas dimensões.

Os cristãos novos, sem dúvida, os mesmos que antes conspurcaram a nobre doutrina, encontram-se na liça, buscando restaurar a pulcritude do Evangelho, promovendo o ser humano e construindo a nova era, não estando indenes ao holocausto, certamente diverso daquele do passado, como forma de reabilitação em testemunho de fidelidade e de honradez.

Que se façam dignos da nova investidura libertadora, são os votos que formulamos todos aqueles que os antecipamos na experiência redentora e iluminativa!


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Pelo Espírito Vianna de Carvalho - Psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica da noite de 21 de dezembro de 2011, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.


r.s.durant dart

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A PAIXÃO DE JESUS



O Espiritismo não nos abre o caminho da deserção do mundo.

Se é justo evitar os abusos do século, não podemos chegar ao exagero de querer viver fora dele. Usufruamos a vida que Deus nos dá, respirando o ar das demais criaturas, nossas irmãs.

Para seguir a própria consciência, podemos dispensar a virtude intocável que forja a santidade ilusória.

Não sejamos sombras vivas, nem transformemos nossos lares em túmulos enfeitados por filigranas de adoração.

Nossa fé não é campo fechado à espontaneidade.

Encarnados e desencarnados precisamos ser prudentes, mas isso não significa devamos reprimir expansões sadias e não nos abracemos uns aos outros. A abstinência do mal não impõe restrições ao bem.

Assim como a virtude jactanciosa é defeito quanto qualquer outro, a austeridade afetada é ilusão semelhante às demais.

Não façamos da vida particular uma torre de marfim para encastelar os princípios superiores, ou estrado de exibição para entronizar o ponto de vista.

A convicção espírita não é insensível ou impertinente.

A inflexibilidade, no dever, não exige frieza de coração. Fujamos ao proselitismo fanatizante, mas nem por isso cultivemos nos outros a aversão por nossa fé.

Se o papel de vítima é sempre o melhor e o mais confortável, nem por isso, a título de representá-lo, podemos forçar a nossa existência, transformando em verdugos, à força, as criaturas que nos rodeiam.

Não sejamos policiais do Evangelho, mas candidatemo-nos a servidores cristãos.

Nem caridade vaidosa que agrave a aspereza do próximo, nem secura de coração que estiole a alegria de viver.

Quem transpira gelo, dentro em breve caminhará em atmosfera glacial.

A crença aferrolhada no orgulho desencadeia desastres tão grandes quanto aqueles criados pelo materialismo.

Não sejamos companhias entediantes.

Um sorriso de bondade não compromete a ninguém.

A fé espírita reside no justo meio-termo do bem e da virtude.

Nem o silêncio perpétuo da meia-morte, que destrói a naturalidade, nem a fala medrosa da inibição a beirar o ridículo.

Nem olhos baixos de santidade artificiosa, nem anseio inexperiente de se impor a todo preço.

Nem cumplicidade no erro, na forma de vício, nem conivência com o mal, na forma de aparente elevação.

Fé espírita é libertação espiritual. Não ensina a reserva calculada que anula a comunicabilidade, constrangendo os outros, nem recomenda a rigidez de hábitos que esteriliza a vida simples. Nem tristeza sistemática, nem entusiasmo pueril.

Abstenhamo-nos da falsa ideia religiosa, suscetível de repetir os desvios de existências anteriores, nas quais vivemos em misticismo acabrunhante.

Desfaçamos os tabus da superioridade mentirosa, na certeza de que existe igualmente o orgulho de parecer humilde.

O Espiritismo nos oferece a verdadeira confiança, raciocinada e renovadora; eis por que o espírita não está condenado a atividade inexpressiva ou vegetante. Caridade é dinamismo do amor. Evangelho é alegria. Não é sistema de restringir as ideias ou tolher as manifestações, é vacinação contra o convencionalismo absorvente.

Busquemos o povo – a verdadeira paixão de Jesus –, convivendo com ele, sentindo-lhe as dores, e servindo-o sem intenções secundárias, conforme o “amai-vos uns aos outros” – a senda maior de nossa emancipação.


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Espírito: Ewerton Quadros
Médium: Chico Xavier
Livro: O Espírito da Verdade


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RECADO DO TIM - Psicografia


Réu Confesso

Não vim aqui para mentir. Eu não preciso disso não. Estou bem depois de uma longa internação num hospital por estas bandas. Tudo está tranquilo e eu me reencontrei novamente. Estou são,  por enquanto.

Esse cara aí, pela segunda vez, me fez chegar até ele. Nunca psicografei, mas já dei intuições por aí à vontade. Esse negócio é realmente muito estranho. Alguém ficar falando ou escrevendo por você, mas é o jeito que se tem por aqui.

Fui irresponsável com a minha vida, confesso. Tive oportunidade de montar uma vida tranquila e equilibrada, mas não era o meu propósito de vida. No fundo, acho que era recalque mesmo. Fiz e está feito, não há nada que se possa fazer para alterar o passado. Agora estou em outra.

Espera aí, não vão achar que virei beato ou espírito santo. Coisa nenhuma. Peno ainda em controlar a minha condição. É difícil, mas o pessoal daqui fica o tempo inteiro no meu pé.

Sou um aficionado por música e neste lado também se curte um som. Som maneiro. Tem de tudo. Tem rock, tem blue, tem soul, tem batida leve. Cada um de acordo com a sua praia.

Integro um grupo que faz festa nos presídios do lado de cá. Parada sinistra, mas tem resultado. O pessoal se delicia com a música e repensa a vida que teve. Tremenda terapia, mano.

Sei que fiz muita besteira e que não sou exemplo para ninguém, mas não abro mão da minha liberdade. É a única coisa minha de verdade e que ninguém me leva, a menos se eu deixar.

Estou por aqui de passagem. Deram-me uma espécie de condicional por bom comportamento. Logo eu...

Na verdade, finjo melhoria porque me encontro, de vez em quando, querendo cheirar um pozinho ainda. Sou réu, confesso. Não dá pra mentir do lado de cá. Veja o que é essa danada da droga, nem morto a gente se livra dela.

Fico pensando no pessoal que vive cheirando e bebendo por aí sem saber o destino que lhe espera. Tremenda roubada, meu irmão. Tem que pagar pra ver.

Eu estou bem, contem aí para os meus amigos e para quem gosta de mim. Esse filme aí que fizeram de mim é legal. O pessoal mandou bem. O cara que fez eu mais velho é muito feio, sou mais eu.

Os musicais são emocionantes. Assisti um que não me contive e cantei duas músicas. O Thiago pensou que estava delirando. Era eu, cara. Que viagem, meu irmão.

Tenho encontrado muita gente por esses lados nestas andanças musicais.

A Elis Regina não para. Agora chegou o Jair Rodrigues. Gente boa, pessoa querida, vocês precisavam ver o cortejo que fizeram para ele.

Tudo maravilha!

Vou nessa, estão me esperando. Estão fiscalizando o que eu escrevo para eu não me precipitar e botar com a língua entre os dentes.

Tudo na vida vale a pena, mas não cabe repetir o caminho que já se viu que era errado, entendeu?

Toda a minha vida eu dediquei a música, que mexe com a gente e deixa a gente feliz.

Juízo, pessoal!

É hora de partir. Fui!

Tim Maia


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Médium Carlos Pereira.
Psicografia recebida em 16 de novembro de 2014.




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