O Arrebol Espírita

terça-feira, 4 de novembro de 2014

ASSOCIAÇÃO


Se o homem pudesse contemplar com os próprios olhos as correntes de pensamento, reconheceria, de pronto, que todos vivemos em regime de comunhão, segundo os princípios da afinidade.

A associação mora em todas as coisas, preside a todos os acontecimentos e comanda a existência de todos os seres.

Demócrito, o sábio grego que viveu na Terra muito antes do Cristo, assevera que “os átomos, invisíveis ao olhar humano, agrupam-se à feição dos pombos, à cata de comida, formando assim os corpos que conhecemos”.

Começamos agora a penetrar a essência do microcosmo e, de alguma sorte, podemos simbolizar, por enquanto, no átomo entregue à nossa perquirição, um sistema solar em miniatura, no qual o núcleo desempenha a função de centro vital e os eletrons a de planetas em movimento gravitativo.

No plano da Vida Maior, vemos os sóis carregando os mundos na imensidade, em virtude da interação eletromagnética das forças universais.

Assim também na vida comum, a alma entra em ressonância com as correntes mentais em que respiram as almas que se lhe assemelham.

Assimilamos os pensamentos daqueles que pensam como pensamos.

É que sentindo, mentalizando, falando ou agindo, sintonizamo-nos com as emoções e idéias de todas as pessoas, encarnadas ou desencarnadas, da nossa faixa de simpatia.

Estamos invariavelmente atraindo ou repelindo recursos mentais que se agregam aos nossos, fortificando-nos para o bem ou para O mal, segundo a direção que escolhemos.

Em qualquer providência e em qualquer opinião, somos sempre a soma de muitos.

Expressamos milhares de criaturas e milhares de criaturas nos expressam.

O desejo é a alavanca de fosso sentimento, gerando a energia que consumimos, segundo a nossa vontade.

Quando nos detemos nos defeitos e faltas dos outros, o espelho de nossa mente reflete-os, de imediato, como que absorven do as imagens deprimentes de que se constituem, Pondo-se nossa imaginação a digerir essa espécie de alimento, que mais tarde se incorpora aos tecidos Sutis de nossa alma. Com o decurso do tempo nossa alma não raro passa a exprimir, pelo seu veículo de manifestação o que assimilara fazendoo seja pelo corpo carnal, entre os homens, seja pelo corpo espiritual de que nos servimos, depois da morte.

É por esta razão que geralmente os censores do procedimento alheio acabam praticando as mesmas ações que condenam no próximo, porqüanto, interessados em descer às minúcias do mal, absorvem-lhe inconscientemente as emanações, surpreendendo-se, um dia, dominados pelas forças que o representam.

Toda a brecha de sombra em nossa personalidade retrata a sombra maior.

Qual o pequenino foco infeccioso que, abandonado a si mesmo, pode converter-se dentro de algumas horas no bolo pestífero de imensas proporções, a maledicência pode precipitar-nos no vício, tanto quanto a cólera sistemática nos arrasta, muita vez, aos labirintos da loucura ou às trevas do crime.

Pensando, conversando ou trabalhando, a força de nossas idéias, palavras e atos, alcançam, de momento, um potencial tantas vezes maior quantas sejam as pessoas encarnadas ou não que concordem conosco, potencial esse que tende a aumentar indefinidamente, impondo-nos, de retorno, as conseqüências de nossas próprias iniciativas.

Estejamos, assim, procurando incessantemente o bem, ajudando, aprendendo, servindo, desculpando e amando, porque, nessa atitude, retletiremos os cultivadores da luz, resolvendo, com segurança o nosso problema de companhia.


***
Espírito: Emmanuel
Médium: Chico Xavier
Livro: Pensamento e Vida


Compilado por: r.s.durant dart

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

AMPARA SEMPRE



Se a treva do mal procura
Mergulhar-te na amargura,
Não te aflijas, meu irmão!...
Olvida o fel que te invade
E acende a luz da bondade
No templo do coração.

Muitas vezes a ironia,
Sob a cólera sombria,
É grito de angústia e dor.
Alma revolta na vida
É como a terra ferida,
Necessitada de amor.

Ampara sempre... O Caminho
Nem sempre será de arminho
Que te convide a cantar.
Terás, igualmente, um dia,
A luta, o pranto e a agonia
Por viver e atravessar.

Alguém clama ou desespera?
Silêncio! Trabalho e espera
Na alegria calma e sã...
Sobre a noite brilha a aurora
E, além das sombras de agora,
O dia volta amanhã.




***
Espírito: João de Deus
Médium: Chico Xavier
Livro: Cartas do Coração


Compilado por: r.s.durant dart

É PRECISO OUVIR


O turista viajava pelo Oriente e, atraído pelo que ouvira falar a respeito de renomado guru, resolveu visitá-lo.

Sabedor que todos o tinham em extraordinário conceito pelos conselhos que dava a quem o buscava, pensou em lhe pedir orientação para sua vida, que estava um autêntico caos.

Foi introduzido em uma saleta, junto a outros que, igualmente, seriam atendidos. A casa era simples e pequena. O guru procedia à cerimônia do chá, com que desejava brindar os visitantes.

O turista, afoito e impaciente, começou a falar sem interrupção. Falava dos seus problemas, das suas dificuldades, acompanhando todos os passos do dono da casa, conforme ele se movia de um lado para o outro.

Segurou a chávena que lhe foi entregue, sem muita atenção.

Contudo, quando o guru nela despejou um pouco de chá, estando virada para baixo, inverteu o sentido das suas palavras para protestar:

O senhor viu o que fez? A chávena estava ao contrário e o chá derramou...

Calmamente, respondeu o guru:

Exatamente como a sua mente! Você está tão preocupado em falar, que não escuta nada do que se lhe diga.

É como despejar um bule cheio de chá na chávena virada para baixo.

Mude a sua conduta. Pense antes de falar. Fale pouco, analisando o que diz. Quando agir assim, a sua vida vai melhorar.

E concluiu: Pode se retirar. A consulta acabou.

Quantos de nós nos assemelhamos a esse turista. Dizemos que desejamos respostas às nossas indagações. Entretanto, não paramos de fazer perguntas, não permitindo ao interlocutor possa nos responder.

E, se ele tenta falar, o nosso gesto logo diz que ele deve esperar um pouco, porque não concluímos nossa narrativa.

Isso quando não começamos a dar as respostas, conforme acreditemos devam ser.

Como se lê no capítulo três, do livro bíblico Eclesiastes: Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.

Portanto, devemos concluir que, no relacionamento pessoal, há um tempo para falar e outro tempo deve ser dedicado a escutar.

Grandes problemas se resolveriam em minutos se tivéssemos a calma para ouvir o que o outro tem a dizer.

Desentendimentos sequer viriam a existir, se nos permitíssemos ouvir as pessoas.

Aprenderíamos mais se nos dispuséssemos a ouvir quem deseja nos ensinar.

E ouvir não quer dizer simplesmente, escutar. É ouvir com atenção, é buscar entender o que o outro expressou e, se não entendeu, humildemente, pedir:

Pode repetir, por favor? O que você quer dizer, exatamente?

E se dispor a ouvir um tanto mais.

Se observarmos nosso organismo, veremos que Deus nos dotou de um par de ouvidos e uma só boca. Sabiamente, já prescrevia que mais se deve ouvir, e menos falar.

Ouvir os conselhos dos mais maduros, dos que já vivenciaram certas experiências e podem nos auxiliar a não cair nos mesmos erros.

Ouvir o que tem a dizer os nossos filhos: suas queixas, seus problemas, suas dificuldades com os amigos, os professores, no trabalho, no namoro.

Aquele que tem ouvidos para ouvir, que ouça! Foi o registro do Evangelista Mateus, como advertência do sábio Mestre da Galileia.

Disponhamo-nos a ouvir: a voz do outro, a sinfonia do mundo, o próprio silêncio.

Ouçamos.

***
Redação do Momento Espírita, a partir de conto oriental, de autoria ignorada.




Compilado por: r.s.durant dart