O Arrebol Espírita

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

SÃO FRANCISCO DE ASSÍS E O LOBO DE GÚBIO



No tempo em que São Francisco morava na cidade de Gúbio, no condado do mesmo nome, apareceu um lobo grandíssimo, terrível e feroz, que não somente devorava os animais, senão também os homens; de modo que todos os cidadãos viviam em grande susto, porque muitas vezes se aproximava da cidade; e todos iam armados, quando saíam para os campos, como se fossem para algum combate; e com tudo isso, quem sozinho o encontrava não podia se defender; e, por medo a este lobo, chegou-se a pontos de ninguém ousar sair da terra. Pelo que, São Francisco, compadecido dos homens daquela cidade, quis sair ao encontro do lobo, apesar de todos lhe aconselharem o contrário; ele, porém, fazendo o sinal da cruz, saiu fora da cidade, com os seus Companheiros, pondo em Deus toda a confiança. E temendo os outros avançar mais além, tomou ele o caminho para os lados onde o lobo estava. E eis que, à vista de muitos citadinos que tinham acudido para ver o milagre, saiu o lobo, de goelas abertas, ao encontro de São Francisco, que fez sobre ele o sinal da cruz, chamou-o e disse-lhe assim:

«Anda cá, irmão lobo! Eu te mando, da parte de Cristo, que não faças mal nem a mim nem a pessoa alguma».

Coisa maravilhosa! Logo que São Francisco fez o sinal da cruz, aquele lobo terrível fechou a boca, e estacou; e, ao mando do Santo, veio mansamente, como se fosse um cordeirinho, e deitou-se-lhe aos pés. Então São Francisco falou-lhe desta maneira:

«Irmão lobo, tu fazes muitos danos nesta terra e tens cometido grandes crimes, destruindo e matando as criaturas de Deus, sem sua licença. E não somente mataste e devoraste os animais, mas tiveste a audácia de matar e destruir os homens, feitos à imagem de Deus. Por esta razão és digno de forca, como ladrão e homicida péssimo; e toda esta terra é tua inimiga. Mas eu quero, irmão lobo, fazer as pazes entre ti e eles, de maneira que tu não mais os ofenderás, e eles te perdoarão as passadas ofensas, e nem os homens nem cães te perseguirão mais».

Ditas estas palavras, o lobo, com movimentos do corpo, da cauda e das orelhas, e com inclinações de cabeça, mostrava aceitar o que São Francisco lhe dizia, e querer cumpri-lo. E então São Francisco acrescentou:

«Irmão lobo, visto ser do teu agrado observar esta paz, eu te prometo, da parte dos homens desta terra, atender ao teu sustento, enquanto fores vivo, de sorte que não padeças fome, porque eu sei muito bem que foi ela que te levou a fazer tanto mal. Mas agora, já que eu te concedo esta graça, quero, irmão lobo, que me prometas nunca mais tornar a fazer mal nem a homem nem a animal. Prometes isso?»

E o lobo, com uma inclinação de cabeça, deu evidente sinal de que prometia.

«Irmão lobo, disse mais São Francisco, para que eu me possa fiar de ti, quero que me dês uma prova da tua promessa».

E estendendo a mão para receber o juramento, levantou o lobo a pata dianteira e familiarmente a colocou na mão de São Francisco, dando-lhe o sinal pedido.

Então acrescentou São Francisco:

«Irmão lobo, eu te mando, em nome de Jesus Cristo, que venhas comigo, sem temor algum, e vamos concluir esta paz, em nome de Deus».

E o lobo, obediente, foi com ele, manso como um cordeiro. Do que os citadinos tomaram grande maravilha.

E subitamente correu esta novidade por toda a terra; e toda a gente, grandes e pequenos, homens e mulheres, jovens e velhos, correram à praça, a ver o lobo com São Francisco. E estando ali todo o povo reunido, levantou-se o Santo e pôs-se a pregar, dizendo, entre outras coisas que pelos pecados permite Deus tais calamidades; e que muito mais perigoso é o fogo do inferno, que eternamente há de durar para os condenados, do que a raiva do lobo, que só o corpo pode matar; e assim quanto é de temer a boca do inferno, quando tanta multidão tem medo e terror à boca dum pequeno animal?

«Voltai, portanto, caríssimos, a Deus e fazei condigna penitência dos vossos pecados; e Deus vos livrará agora do lobo, e do fogo eterno, no futuro».

Feita esta prática, disse São Francisco:

«Escutai, irmãos meus: o irmão lobo, que está aqui diante de vós, prometeu e deu-me juramento de fazer as pazes convosco e de vos não ofender mais em coisa alguma, se vós prometerdes dar-lhe os alimentos necessários; e eu fico por fiador de que ele observará fielmente o tratado da paz».

Então o povo, todo a uma voz, prometeu alimentar o lobo continuamente. E São Francisco, perante todo o povo, disse ao lobo:

«E tu, irmão lobo, prometes cumprir o tratado de paz, não ofendendo nem os homens, nem os animais, nem criatura alguma?»

E o lobo ajoelhando-se, e inclinando a cabeça, e com mansos sinais do corpo, da cauda e das orelhas, mostrava, como podia, que queria cumprir todo o pacto. E disse São Francisco:

«Eu quero, irmão lobo, que, da mesma maneira que fora de portas me deste fé da tua promessa, também a dês, diante deste povo, para que eu fique certo de que me não enganarás na fiadoria que por ti fiz».

Então o lobo, levantando a pata direita, pô-la na mão de São Francisco. Donde, depois e do mais que fica dito, houve tanta admiração e alegria em todo o povo, assim pela devoção do Santo como pela novidade do milagre e mansidão do lobo, que todos começaram a clamar ao céu, louvando e bendizendo a Deus, que lhes havia mandado São Francisco para que, por seus merecimentos, fossem livres daquela besta feroz.

Depois viveu o dito lobo em Gúbio, ainda dois anos; e familiarmente entrava pelas casas; ia de porta em porta, sem fazer mal a ninguém, nem pessoa alguma lho fazer a ele; e era alimentado generosamente por todos; e andava tão à vontade, pelas ruas, que nem os cães lhe ladravam.

Finalmente, passados dois anos, o irmão lobo morreu de velhice; do que toda a gente houve muita dor. Vendo-o andar tão mansamente pela cidade, melhor se recordavam da virtude e santidade de São Francisco.

À honra de Cristo. Amém.
Florinhas de São Francisco de Assis, capítulo XXI.


(a) RONALDO COSTA (O Arrebol Espírita)
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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

OPINIÃO ESPÍRITA



PROTEÇÃO DA VIDA SUPERIOR

Há mais de um século, conforme se depreende da Questão de número 491 de “O Livro dos Espíritos”, inquiriu Allan Kardec dos mentores desencarnados que lhe presidiam a obra: “Qual a missão do Espírito protetor?” e o esclarecimento veio claro: “a de um Pai com relação aos filhos; a de guiar o seu protegido pela senda do bem, auxiliá-lo com seus conselhos, consolá-los nas suas aflições, levantar-lhe o ânimo nas provas da vida”.
Tracemos reduzidas anotações aos cinco pontos enunciados:
Um pai consagra-se aos filhos, durante a existência terrestre, pavimentando-lhes o caminho com toda as possibilidades que o amor lhe possibilite, entretanto, não consegue exonerá-los das tribulações, referente as dívidas contraídas por eles, em passadas reencarnações.
Determinado educador abraçará generosamente o compromisso de orientar alguém, nas trilhas da virtude, contudo, o aprendiz traz a consciência livre para aceitar ou não as indicações que se lhe sugere.
O amigo ampara a outro amigo, administrando-lhe avisos oportunos, todavia, é provável que o beneficiário não os admita resolvendo tomar experiências difíceis, à própria conta.
Devotado companheiro dispensar-nos-á reconforto nas aflições, mas se está consciente do respeito à justiça, não intentará suprimi-las, na certeza de que as recebemos da vida por inevitável necessidade.
Compassivo irmão dar-nos-á coragem para vencer nos transes de rudes provas, no entanto, se realmente nos deseja felicidade, procederá conosco, à maneira do professor que instrui o discípulo, nas dificuldades do ensino, sem furtar-lhe os méritos da lição.
Longe de nos classificarmos por espíritos protetores, de vez que somos simples e imperfeitos servidores de todos aqueles que ainda sofrem o esmeril das lutas humanas, compreendemos as dores e os constrangimentos de quantos imploram socorro e exceção, em nossas casas de fé, mas a clareza doutrinária recomenda se proclame que o Evangelho não promete gratificações do mundo e que o Espiritismo não anuncia vantagens materiais, no que concerne a ilusão.
Nós todos, espíritos vinculados ainda à Terra, estamos evoluindo e resgatando, aprendendo e edificando, no burilamento da alma.
Estendamos mãos fraternas, amparando-nos mutuamente.
Reconheçamos, porém, que progresso reclama esforço, quitação pede reajuste, estudo exige atenção e trabalho roga suor.

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Médiuns: Chico Xavier e Waldo Vieira
Espíritos: Emmanuel e André Luiz
Livro: Opinião Espírita



(a) RONALDO COSTA (O Arrebol Espírita)
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HISTÓRIA DE UM ESPÍRITO

Há muitos anos, um Espírito apareceu a Divaldo (médium espírita, dirigente da instituição Mansão do Caminho da Bahia), e contou-lhe sua triste história:
“Eu era uma mulher bela, casada, também, com um homem muito atraente. Éramos felizes, até que um dia a beleza física dele nos desgraçou. Simpático, jovial e atraente, arranjou outra mulher mais bela e mais jovem do que eu. Uniu-se a ela, e disse-me:

- A partir de hoje irei me transferir de casa. Por você estar velha e desgastada, procurei outra mulher mais jovem para me estimular e dar colorido à minha vida.

Dizendo isso, arrumou suas malas e saiu. Enquanto ele saía, dei um tiro em minha cabeça, para que ele ouvisse e tivesse remorso para o resto da vida. Suicidei-me! Não posso lhe dizer quanto tempo se passou. Senti o tormento que me veio depois do suicídio, a crueldade do ato impensado, o desespero que me proporcionou. Tudo quanto posso lhe dizer é que agora eu me libertei, momentaneamente do tiro, da bala que partira minha cabeça. E meu primeiro pensamento foi ver o homem por quem eu destruí minha vida. Quis visitá-lo, e uma força estranha como um magneto me atraiu a uma casa majestosa, a uma mulher de meia idade e a um homem que estava atormentado e deitado em uma cama especial.
Era meu antigo marido, portador agora de uma doença degenerativa. Estava desmemoriado, deformado, hebetado, teve também, derrame cerebral, estava sem cabelos, sem dentes, trêmulo sobre a cama . . . Uma verdadeira pasta de carne! Então eu olhei, e pensei: - Meu Deus! Foi por isso que eu me matei!? Como fui tão apegada à matéria, que murcha e se decompõe mesmo em vida. Hoje estou sofrendo moralmente! Como pude dar tanto valor à matéria! . . . Não confiei em Deus, e cheguei ao extremo de tirar minha vida por um homem que não a merecia, enceguecida por sua beleza física. Apeguei-me muito, a ponto de anular minha personalidade. Não podia viver sem ele. Tem piedade de mim e de todos aqueles que estão presos às pastas de carnes que irão se decompor e morrer em breve tempo, mais breve do que esperamos.”

E o Espírito, saiu depressa, sem dar tempo de Divaldo falar com ela.
Dessa história, podemos tirar 3 lições:

1ª - Sobre o suicídio. A recomendação Espírita é: “Não se mate você não morre.”

2ª - Procurar parceiros (as) visando beleza física e não espiritual, é outro engano. O amor verdadeiro não é cego, mas a paixão sim. Na questão 969, os Espíritos disseram para Allan Kardec que: “Muitos são os que acreditam amar perdidamente, porque apenas julgam pelas aparências, e que, obrigados a viver em comum, não tardam a reconhecer que só experimentaram um encantamento material! Não basta uma pessoa estar enamorada de outra que lhe agrada e em quem supõe belas qualidades. Vivendo realmente com ela é que poderá apreciá-la. Cumpre não se esqueça de que é o espírito quem ama e não o corpo, de sorte que, dissipada a ilusão material, o espírito vê a qualidade.”

- Ninguém é de ninguém. Ninguém é posse de ninguém. Quando amamos verdadeiramente a outra pessoa, nós queremos vê-la bem, feliz, seja lá com quem for. Divaldo com muita propriedade nos exorta:

- É necessário libertar-nos dos apegos, das coisas escravocratas e seguirmos a direção do alvo, porque somos a flecha que o grande Arqueiro disparou.

Aprender, pois, a olhar não com nossos olhos, mas sim com o coração, amar verdadeiramente a alma e não o corpo, pois o corpo acaba e a alma se eterniza o Espírito é realmente a verdadeira luz , e nós como seres humanos deveríamos ver, não com os olhos mas com o coração, pois este, nunca nos engana!!!!

"Você não tem o direito de passar por uma pessoa sem deixá-la melhor e mais feliz."
"Aprendi com a primavera a me deixar cortar. E a voltar sempre inteira."-(Madre Tereza de Calcutá)


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FONTE: PENSAMENTOS DE ANDRÉ LUIZ


(a) RONALDO COSTA (O Arrebol Espírita)
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