“ A
Mente Divina pode querer comunicar-se com mentes finitas manipulando
o mundo dos homens e das coisas de forma que a mente particular,
destinada a ser atingida neste momento, considere significativa.”
- Aldous Huxley -
- Aldous Huxley -
Há poucos lugares onde me sinto tão inteiro quanto no cemitério. Nunca compreendi a aversão que muitos nutrem por aquilo que chamam de morada última. Alguns dizem:
— “É um lugar fantasmagórico, ligado ao fim da vida… à morte.”
Mas que lógica há nisso?
Se é fantasmagórico, é porque há fantasmas; se há fantasmas, há presença; se há presença, há vida. Onde existe vida, não pode haver morte. O medo nasce do equívoco.
Nunca me preparo para ir a um cemitério como quem planeja um passeio qualquer. Contudo, se ele surge em meu caminho, se o tempo consente, entro. Não para cultuar a ausência, mas para dialogar com a permanência. Ali, mais do que em muitos templos, reencontro o equilíbrio da mente e o silêncio da consciência. Já ouvi inúmeras orações, pronunciadas nas mais diversas tribunas, mas poucas me ensinaram tanto quanto as vozes que ecoam do túmulo.
Não há morte nos cemitérios. Há vida — tanta quanto a que passa apressada do lado de fora de seus muros. Não conheço as histórias de quem ali repousa, assim como não conheço as histórias dos que caminham ao meu lado pelas ruas. Cada existência é um mistério particular. Ainda assim, é possível ouvir, sentir e aprender.
Caminho por suas alamedas observando os rostos fixados nas lápides, os nomes gravados na pedra, as datas de chegada e de partida. Leio as homenagens póstumas e, em silêncio, converso com os irmãos que ali se encontram.
Digo a Fernando:
— “Você era bonito.”
E, após um instante de reflexão, parece que ele me responde:
— “Isso não era beleza. A verdadeira, eu só comecei a conhecer depois.”
Retribuo:
— “Então já estás aprendendo.”
E sinto, sem ver, o esboço de um sorriso.
Mais adiante, falo com Renata:
— “Que beleza.”
Ela parece rir de mim e dizer:
— “Não se engane. Cuida da beleza do teu espírito. Essa nasce no coração, atravessa o tempo e sobrevive ao corpo. É ela que brilha como estrela.”
— “Além de bela, sábia”, respondo.
E sua fotografia parece iluminar-se.
Converso com todos. Com o rico e o pobre. Com o jovem e o velho. Com o simples e o poderoso. Um governador me fala de seus erros, de suas ilusões e da verdade que só aprendeu depois:
— “Jesus é o maior governante, porque governa com amor.”
Talvez alguém pense: “Esse homem é louco.”
Para mim, loucura é temer o cemitério, acreditando que ali habita a morte, quando, na verdade, ali repousa apenas o que já não serve à vida.
Certa vez, sentei-me em um banco e contemplei o silêncio. Uma voz soou atrás de mim:
— “Pensando na vida?”
Virei-me. Era um homem simples, vestido de gari.
— “Refletindo sobre ela e seus problemas”, respondi.
Ele sentou-se ao meu lado e, com a serenidade dos que aprenderam vivendo, disse:
— “A vida é como uma rosa. Tem espinhos, beleza, perfume, pólen e néctar. O problema não está na rosa, mas no homem.
O homem fere com seus espinhos — a revolta, a ambição, o orgulho, o egoísmo. A rosa usa os seus apenas para se proteger.
O homem usa sua beleza — física, intelectual, social — para afastar. A rosa usa a dela para atrair.
A rosa produz néctar e o oferece. Ensina, sem palavras, que é dando que se recebe. O homem, quase sempre, quer reter tudo para si.
O perfume da rosa anuncia onde ela está e convida à aproximação. O cheiro do homem, muitas vezes, avisa onde não se deve ficar.”
Perguntei, admirado:
— “De onde o senhor tirou isso?”
Ele levantou-se e respondeu, sorrindo:
— “Da própria vida, meu jovem.”
E se foi. Nunca mais o vi. Mas sua voz — como tantas outras naquele lugar — permanece comigo.
*
“A inteligência Divina fala conosco de diversas maneiras, fazendo revelações surpreendentes que quando compreendidas nos dão a certeza de que a vida vai muito além dos limites do mundo material, onde passado, presente e futuro se confundem nas tramas da evolução.”
- Zibia Gasparetto -
“A inteligência Divina fala conosco de diversas maneiras, fazendo revelações surpreendentes que quando compreendidas nos dão a certeza de que a vida vai muito além dos limites do mundo material, onde passado, presente e futuro se confundem nas tramas da evolução.”
- Zibia Gasparetto -
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“ A Mente Divina pode querer comunicar-se com mentes finitas
manipulando o mundo dos homens e das coisas de forma que a mente
particular, destinada a ser atingida neste momento, considere
significativa.”
- Aldous Huxley -
- Aldous Huxley -
Bom, é isso gente! É o que tenho para falar
sobre cemitério, sobre as Vozes do Túmulo que há muito ouço e que
me trazem grandes ensinamentos como o publicado alguns anos atrás e
republicado aqui no Facebook, ano passado, com o titulo: A PLANTA
FEIA (Lições Ocultas II)
https://www.facebook.com/durantdart/photos/a.1518631845084856.1073741830.1518422565105784/1520176051597102/?type=3&theater
